Um Pouco da Minha Experiência Pessoal

Mas por que você deveria seguir os conselhos que eu vou te dar? O que me habilita a dar esses conselhos, em primeiro lugar? Vou ser bem franco: não sou professor, pedagogo, orientador, nada disso. Nunca trabalhei na área de educação.

Eu sou apenas um CDF autodidata, ultranerd — o Sheldon Cooper de Big Bang Theory parece ter sido inspirado em mim. Desde pequeno, sempre tive interesse intelectual por todas as áreas do conhecimento. Meu maior “sonho de consumo” na infância era uma daquelas enciclopédias com dezenas de volumes que existiam antes da Internet, do Google e da Wikipedia. Meus pais não me deram porque tinham medo que eu não saísse mais de dentro daquele monte de livros — no que estavam absolutamente certos!

Da 5ª série (equivalente ao atual 6º ano) ao final do Segundo Grau (hoje chamado Ensino Médio), fui o “melhor aluno” (quer dizer, com as mais altas notas) de todo o colégio — dois colégios, na verdade, com três turnos, dezenas de turmas e alguns milhares de alunos cada. Tive professores que usavam minhas respostas nas provas como gabarito para corrigir as do restante da turma. Só não pulei algumas séries, fazendo duas por ano, porque naquela época não havia essa possibilidade — mesmo hoje em dia isso é complicado.

Eram, porém, escolas públicas comuns; não tão ruins quanto as de hoje em dia, mas nem de longe eram escolas topo de linha. No Segundo Grau, tive que aprender metade de todo o conteúdo programático sozinho, estudando por conta própria, e numa época em que não havia Internet. Passei no vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (a hoje pobre coitada Uerj), para o concorrido curso de Informática, muito antes de haver cotas. E depois de formado, prestei um difícil concurso público federal, e passei na primeira tentativa.

Enfim, sendo eu de família pobre (mas não miserável), melhorei bastante de vida, contra algumas adversidades, ao custo de muito esforço, muito estudo e muito trabalho. Com a “vida ganha”, como se diz, eu até quis fazer outra graduação, ou uma pós, mas minha vida pessoal e profissional tomou rumos que me afastaram da Academia. Independentemente disso, continuo a estudar muito, sempre por minha conta, sobre vários assuntos. Tenho um amigo (nerd como eu, embora não “assumido”), que certa vez resumiu bem minha atitude em relação à busca pelo conhecimento:

O Serjão é assim: a gente manda uma mensagem, um simples link pra ele, “Olha só que maneiro, essa descoberta que saiu no jornal”, achando que é uma grande novidade; pode ser sobre qualquer coisa, os temas mais exóticos; e ele responde, “Existem três teorias a respeito. A primeira…”, e escreve um tratado sobre o assunto! — Affonso.

Ele exagerou, claro. Mas não muito…

Escrevo isso não para me gabar, mas para deixar claro que, quando eu digo que tal livro é melhor, essa abordagem funciona bem, essa técnica de estudo é inútil, eu sei do que estou falando. Passei a vida “aprendendo a aprender”, não só por tentativa e erro, mas também pesquisando sobre o que especialistas nas áreas de Psicologia, Neurociência e Educação vêm descobrindo sobre o assunto. Isso é uma coisa que, infelizmente, professores e orientadores, em suas labutas diárias, nem sempre têm tempo ou dinheiro pra fazer.

Mas você tem todo o direito de por em dúvida minha experiência e meus conhecimentos, já que você não me conhece pessoalmente, e tem muito metido a sabichão na internet. Por isso, vou dar algumas referências de revistas e livros onde aprendi muito do que exponho neste site.

Coleção Neuroaprendizagem, de Pierluigi Piazzi. Quatro livrinhos de leitura bastante acessível para estudantes, pais, professores e concurseiros (um para cada público), em que o “Professor Píer”, como era chamado (faleceu em 2015), discorre sobre o que funciona e o que não funciona nas salas de aula e nas salas de estudo. Um educador à frente de seu tempo, ele foi um pioneiro do mercado de cursinhos pré-vestibular, e o inventor do modelo de apostilas usado por todos esses cursos, desde então. Muito do que ele descobriu na prática de preparação de 100 mil estudantes para os vestibulares das melhores universidades do país veio a ser depois validado por pesquisas de neurociência.

Revista Neuroeducação. Foram 11 edições anuais especiais da Revista Educação, voltadas para professores e pedagogos, bem como estudantes de licenciatura e pedagogia. Mas o número 10, sobre “Como Estudar”, pode interessar a estudantes em geral. Na mesma linha foi a edição de novembro de 2013 da revista Mente e Cérebro, intitulada “O que de fato funciona para aprender”.

Como Aprendemos, de Benedict Carey. Um dos vários livros lançados sobre o assunto no atual século. Mas, de todos, é o único que eu li, e, portanto, posso falar. O autor está bastante atualizado com relação às pesquisas, e sabe “traduzi-las” para o entendimento dos leigos, dando inclusive exemplos, positivos e negativos, de sua própria trajetória de estudante.

Depois de algumas leituras sobre o assunto, você começa a achar as informações meio repetitivas. Pra quem só precisa melhorar seu rendimento nos estudos, não precisa ir além dessas obras citadas aqui.

Então, chega de lero-lero e vamos ao que interessa! Pronto pra arregaçar as mangas?

2 comentários em “Um Pouco da Minha Experiência Pessoal”

  1. Na escola sempre me sustentei com as notas, já que, por mais que não fossem absurdas, ficavam na maioria das vezes acima da média e não havia muito esforço para alcançá-las, um estudo no dia anterior era suficiente. Isso me tornou um aluno medíocre e bem superficial. Depois de me deparar com os livros do Prof. Pierluigi no final do meu último ano do Ensino Médio ( que foi em 2020), comecei a enxergar o quão iguinorante eu era e o quão burro eu fui de perder todo esse tempo. Nesse mesmo ano (2020), em setembro, conversei com minha família e decidi sair do emprego de Jovem Aprendiz para focar no ENEM. Nesses meses de estudo me apaixonei de forma súbita pela ciência e decidi que queria seguir uma carreira acadêmica, principalmente na área da computação. Sem instrução e sem planejamento, minha nota não foi suficiente. Neste ano em 2021 passei os 6 MESES do ano tentando me adequar às videoaulas no Youtube, aos cronogramas gratuitos, mas é tudo TÃO focado no vestibular que se torna muito superficial e não carregam muitos valores, vomitam o conteúdo como se parecessem que eu fosse uma máquina.

    E eu estou em um dilema: tenho 18 anos hoje, querendo tentar uma boa faculdade( seria da UFMG com a nota em média 750 a 770 ) faltam mais alguns meses para o próximo ENEM( vai ser no final de novembro ) e eu queria estudar pelos livros por achar neles uma forma mais justa de aprender.

    Eu sou um completo ignorante nisso tudo ainda, posso ter falado um monte de bobagem e ter pensamentos talvez românticos demais e pouco realistas. Mas me sinto perdido nesse emaranhado de informações na internet e não tem ninguém à minha volta que consegue me dar um direcionamento mais sincero possível, pois viveram situações diferentes das quais eu estou tentando tomar. Não quero mais perder tempo, não quero ficar mais perdido nesse trajeto. Hoje consigo estudar o dia inteiro, mas parece que meu esforço está indo para o ralo por más práticas de estudo. Enfim, talvez você possa me dar alguns conselhos sinceros, por favor.

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    1. Boa noite, Lucas. Para o Enem deste ano, não dá mais tempo de você se preparar estudando coleções de livros de capa a capa, como seria o ideal. O melhor, a essa altura, é você pegar as provas de anos anteriores do Enem e sair resolvendo. Quando se deparar com uma questão que você errar ou não conseguir resolver, você estuda *somente aquele assunto específico* num bom livro, como aqueles que eu indico aqui no Guia do CDF. Assim, aos poucos, você vai revisando o conteúdo que é mais provável de cair nas provas, ao mesmo tempo em que vai cobrindo as lacunas no seu conhecimento.

      Se você alcançar seu objetivo no Enem deste ano, ótimo. Se você não conseguir, aí você terá *um ano* pra se preparar para o Enem do ano que vem, e poderá fazer isso estudando por coleções de livros, como deve ser.

      Mas não se iluda com um aspecto: qualquer preparação para o Enem e os vestibulares É MESMO uma maratona para memorizar o máximo de conteúdo teórico e técnicas de resolução de problemas num curto intervalo de tempo. Todos os educadores condenam este modelo, mas parece que aqui no Brasil não se consegue desenvolver um processo mais racional de seleção para as melhores universidades, infelizmente.

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