O Que Não Funciona na Hora de Estudar

Esta é uma das duas mais importante página deste site. Se você ler somente elas duas, já vai ter um impacto enorme no seu rendimento nos estudos.

Não divida sua atenção enquanto estuda.

Você não deve fazer outras coisas enquanto estuda, como ouvir música, assistir tevê, conversar nas redes sociais. Já foi provado cientificamente que o cérebro humano não é capaz de dar a devida atenção a várias coisas ao mesmo tempo. Se você estudar ouvindo sua banda preferida ou conversando no WhatsApp, seu cérebro não vai conseguir assimilar direito aquilo que você estiver estudando, porque estará dividindo a atenção com outras coisas.

O tempo que você passa estudando tem que ser sagrado: você não deve realizar nenhuma outra atividade enquanto estuda, exceto respirar. Se você duvida, faça um teste: experimente, num fim de semana, estudar sem fazer nenhuma outra coisa ao mesmo tempo, e você verá como seu rendimento será maior.

Não troque seu livro por um computador.

Todos os dias, novos métodos de ensino e aprendizagem com uso de tecnologias de informação são inventados, e sua suposta superioridade sobre os métodos antigos alardeada.

As tecnologias evoluíram, mas o cérebro humano não. Ainda é o mesmo órgão projetado pela evolução para aprender otimamente de determinadas maneiras, que só agora estão sendo desvendadas por meio de pesquisas na área das Neurociências.

Já houve pesquisas em que os cientistas acompanharam por algum tempo estudantes que usaram e não usaram recursos computacionais, e depois compararam o quanto cada grupo aprendeu, seja pelas notas obtidas em seus colégios, seja por provas específicas dadas pelos pesquisadores. Os resultados a que chegaram foram os seguintes:

• estudantes com dificuldades de aprendizado melhoraram seu desempenho ao utilizarem recursos computacionais;

• estudantes medianos algumas vezes melhoram, outras vezes pioram seu desempenho, quando usaram recursos computacionais;

• estudantes com facilidade de aprendizado (CDFs) não melhoraram seu desempenho com o uso de recursos computacionais.

Os pesquisadores levantaram algumas hipóteses plausíveis, que precisam de mais pesquisas para serem corroboradas ou refutadas. Uma delas é que os estudantes com pior desempenho tinham, obviamente, dificuldades com os métodos de ensino tradicionais. Quando passaram a ser ensinados de outras maneiras, com uso intensivo da tecnologia da informação, seu interesse nas aulas e a motivação para estudar aumentaram, e por isso melhoraram.

Os estudantes medianos melhoraram seu desempenho quando os professores souberam planejar atividades proveitosas com as máquinas. Pioraram aqueles que simplesmente ganharam um computador, mas sem atividades guiadas para realizar. Eles só perderam tempo de estudo, conversando em redes sociais, jogando games ou navegando à esmo pela Internet.

Quanto aos estudantes que já tinham um desempenho ótimo com as metodologias tradicionais, eles não tiveram ganho nenhum com as novas tecnologias, porque, na verdade, não dependem tanto assim dos métodos de ensino específicos. Como bons CDFs, eles têm facilidade de aprender e conseguem se automotivar, qualquer que seja o método em que forem ensinados.

Isso quer dizer, caro CDF, que você não vai ganhar nada trocando seus livros e cadernos por computadores. Só vai perder tempo e dinheiro. Use computadores para aquilo que realmente não tem como ser apresentado no papel. Quando você estudar História, por exemplo, pesquise no Google fotos de pinturas e esculturas de personagens importantes, para dar rostos àqueles nomes. Use o Google Earth ou o Google Maps quando for estudar Geografia, para virtualmente “ir” até os lugares. Procure no Youtube vídeos de experiências de Física e de Química, ou documentários de vida selvagem, para Biologia. Mas a maior parte do seu tempo de estudo você deve passar entre livros e cadernos.

Não assista videoaulas.

É, virou moda. Dizem que é o “futuro”. Mas a verdade é que ainda não há estudos científicos criteriosos que mostrem que uma videoaula é melhor, ou pelo menos equivalente, a uma aula presencial. Tampouco de que possa substituir o aprendizado pela leitura de livros.

Decerto há professores que parecem ter “o dom” de explicar as coisas de maneira que qualquer um pode entender. Em parte, é talento sim; mas também tem muita técnica, esforço, dedicação, experiência. Videoaulas são uma maneira de ter um desses professores talentosos sempre à mão. E muita gente aprende melhor assim mesmo, com alguém falando, gesticulando, escrevendo num quadro-negro (ou branco).

Mas lembre o que falei na apresentação deste site. Você não é “qualquer um”! Não é um estudante mediano, que precisa de um professor-babá pra ensinar tudo mastigadinho. Muito menos um que conte piada, invente musiquinha, dê cambalhota e faça você se mexer.

Você é um CDF! Honre os óculos que usa! Você não precisa que alguém te motive; é automotivado. Não precisa que alguém te ensine; é autodidata. O que para os outros é obstáculo, pra você é desafio. Quando os outros estão cansando, você está só aquecendo. Quando os outros pedem socorro, é você quem socorre. Você é sim, mais inteligente que a maioria. Falsa modéstia não é humildade. E reconhecer suas capacidades não é arrogância.

Por isso tudo, videoaulas não são para você. Você vai render mais, vai aprender mais, vai desenvolver mais seu raciocínio, sua memória, suas capacidades, seus talentos, estudando sozinho, por livros. Somente se, excepcionalmente, você tropeçar num assunto muito difícil, que não consegue entender de jeito nenhum, você deve recorrer a videoaulas. Mesmo assim, tente seu professor na escola, primeiro. Ou outros CDFs como você.

Leia em papel, não em tela.

Várias pesquisas tentam avaliar que tipo de suporte de informações estudantes e pessoas em geral preferem, se texto impresso em papel ou texto exibido em telas. Todas apontam que as pessoas em geral preferem, para leituras longas, textos impressos. As pessoas dizem que ler em telas é mais “cansativo”, e ler em papel é mais “confortável”. Mas mais séria é a constatação de que as pessoas retêm menos informações quando leem em telas do que quando leem em papel! E os pesquisadores não sabem muito bem porquê.

No passado recente, achava-se que era pela baixa resolução das telas, que davam o efeito pixelizado às letras. (Pesquise no Google, se não sabe o que é isso.) Mas a densidade de pixels (pontos luminosos) das telas atuais é altíssima, os olhos humanos já não são capazes de distinguir os pontos individuais. Pensava-se também que era a frequência de renovação da imagem nas telas, que era um problema nos velhos monitores de tubo. Mas com as telas LCD e a frequência mínima de 60 Hz (ou seja, 60 renovações por segundo), esse problema também desapareceu.

A hipótese mais recente seria de que as telas são superfícies emissoras de luz, enquanto os papéis são meramente refletores de luz, e os fótons emitidos seriam de alguma maneira mais “duros” para as células da retina do que os fótons refletidos. E, de fato, as pessoas em geral acham mais confortável ler livros digitais em dispositivos de tela reflexiva, como os kindles da Amazon, do que em telas emissivas, dos tablets e notebooks. Mas, ainda assim, as pessoas preferem ler livros impressos a livros digitais, mesmo em kindles. Tanto que, depois de uma explosão inicial, a venda desses dispositivos de leitura estagnou.

Mas e os arquivos PDF? Muita gente hoje usa versões de livros nesse formato digital, sejam originais, sejam escaneadas. Eu mesmo disponibilizo alguns PDFs aqui neste site. Meu conselho é: se, possível, imprima seus PDFs. Você terá dificuldade de fazer isso numa papelaria ou numa lanhouse. No mínimo, terá que provar para a moça ou o rapaz encarregado do serviço que seu arquivo não é uma cópia pirata. Mas, se você tiver uma impressora, pode imprimir em casa, e depois mandar encadernar numa papelaria. Seja em casa ou numa papelaria, para economizar, você pode imprimir em preto e branco, ou em qualidade de rascunho, ou duas páginas do arquivo numa só página impressa, se a letra não ficar muito miúda.

Outra forma de economizar é, por incrível que pareça, imprimir em apenas um lado da folha, ao invés de nos dois lados. Mas isso não vai gastar o dobro de folhas? Sim, vai. Mas você poderá usar as páginas deixadas em branco para fazer anotações e exercícios. Assim, de um lado, você terá um livro impresso, do outro, terá um caderno de estudos, num mesmo volume encadernado! Será um caderno a menos que você terá que comprar.

Escreva à mão, não digite.

Você vai aprender em Biologia, na parte de anatomia do sistema nervoso, que o cérebro tem áreas mais ou menos especializadas em determinadas funções. Elas funcionam sempre em conjunto, formando milhões de circuitos “em série” e “em paralelo”, que se comunicam enviando impulsos elétricos. Essas áreas foram esculpidas pela evolução biológica ao longo de centenas de milhões de anos. E, muito mais recentemente, a evolução cultural adaptou algumas dessas áreas para outras finalidades.

Por exemplo, as primeiras ferramentas de pedra, inventadas há dois milhões de anos pelos nossos ancestrais homininos, eram feitas assim: uma pedra (o “martelo”) era batida contra outra (a que era moldada), que era apoiada numa terceira rocha que servia de suporte (a “bigorna”), ou diretamente no chão. Como as ferramentas davam uma vantagem muito grande na obtenção de alimento, a seleção natural privilegiou indivíduos que casualmente nasciam com determinadas áreas cerebrais mais aptas a controlar os movimentos necessários para fabricar ferramentas. E assim, todos nós, atualmente, nascemos com cérebros que possuem amplas áreas especializadas na manipulação de objetos.

Mas a escrita existe há apenas 5 mil anos. Não houve tempo para uma área cerebral especializada na leitura e na escrita surgir. Como, então, conseguimos ler e escrever? Por causa do que os estudiosos chamam de plasticidade cerebral. O cérebro consegue reutilizar algumas de suas áreas para outras funções, que não os objetivos para os quais essas áreas serviam originalmente. E é isso que ocorre com o processamento da leitura e da escrita!

Você aprendeu a escrever à mão, movimentando um lápis sobre um papel estendido sobre o tampo de uma mesa, correto? Então, seu cérebro trata as letras que você escreve como se fossem “pedrinhas” que você manipula com uma ferramenta pontuda (o lápis, no lugar do “martelo”) sobre um suporte rígido (o papel sobre a mesa, ou “bigorna”). Ele usa as áreas especializadas na manipulação de objetos e fabricação de ferramentas para escrever! É a parte do córtex motor responsável pelo movimento das mãos e dos dedos que se encarrega disso. Mas não é só o lápis que seu cérebro está manipulando, são as próprias letras!

Agora, quando você digita num teclado, você não manipula as letras diretamente. Você bate nas teclas e as letras aparecem magicamente na tela à sua frente. Para seu cérebro pré-histórico, é como se você batesse numa moita e pequenos animais escondidos saíssem correndo ou voando. Embora você use as mãos, é algo bem diferente de manipular pedras. Você sente as teclas nas pontas dos dedos, mas suas mãos não modelam as letras, como as mãos dos nossos ancestrais pré-históricos modelavam ferramentas.

E agora, vem o mais impressionante: exames de atividade cerebral mostraram que, quando alguém lê um texto manuscrito, seu córtex motor se ativa da mesmíssima maneira como se a pessoa estivesse escrevendo! Quer dizer, a leitura, para o cérebro, é meio que uma simulação mental da escrita. Quando você lê um texto escrito à mão, e mais ainda quando escreve um texto com a mão, você está realmente escrevendo o texto no seu tecido cerebral! É por isso que resolver exercícios e escrever anotações à mão, movendo um lápis ou uma caneta sobre um papel, estimula mais o raciocínio e a memória do que fazer algo análogo digitando num teclado.

O problema é que escrever à mão é uma atividade mais lenta que escrever à máquina. E com uma quantidade enorme de informações para processar e assimilar, tendemos a preferir o que é mais rápido. É um clássico caso de conflito entre eficácia, de um lado (atingir o máximo dos resultados pretendidos; no caso, maximizar o aprendizado) e eficiência, de outro (utilizar o mínimo de recursos para alcançar os resultados; no caso em questão, minimizar o tempo). O desafio é atingir um balanceamento ideal entre eficácia e eficiência, que é o que se chama efetividade (atingir o máximo de resultados gastando o mínimo de recursos).

Para atingir a máxima efetividade nos estudos, você deve ter e mente seus objetivos imediatos. Se é desenvolver o raciocínio e fixar os conteúdos aprendidos, você deve escrever à mão em cadernos (privilegia-se a eficácia). Se é redigir um relatório de um trabalho a ser entregue à sua professora, você deve digitar num teclado de computador (privilegia-se a eficiência).

Então, se você quiser que seus estudos privados rendam o máximo, prefira o bom e velho caderno ao novo e moderno tablet, ou ao estiloso notebook. Use estes dois só para fazer trabalhos que exijam uma execução rápida ou um ótimo acabamento.

Não faça leitura dinâmica.

Esse foi mais um modismo que surgiu no meu tempo de estudante, e que ainda hoje é recomendado por alguns professores e orientadores. Muita gente ganhou dinheiro, e ainda ganha, escrevendo livros e dando cursos sobre o assunto. E muitos outros perderam dinheiro e tempo aprendendo e aplicando as técnicas.

Mas qual é o problema com a leitura dinâmica? Ela de fato funciona para o que se propõe, fazer você ler mais rápido. Mas não é apropriada para textos muito ricos em informações, porque faz você reter menos daquilo que lê.

Isso tem a ver com a maneira como os nossos cérebros processam a leitura, usando um código alfabético. No nosso sistema de escrita, as letras representam fonemas, que são sons padronizados da fala. Não é uma correspondência de um para um; muitas vezes, uma letra pode representar diferentes sons, e um mesmo som pode ser representado por diferentes letras, como você bem sabe. Mas o princípio básico se mantém.

Assim sendo, quando aprendemos a ler, nós treinamos nossos cérebros a reproduzir os sons representados pelas letras, para sabermos identificar as palavras e, a partir daí, recuperar os sentidos delas em nossas memórias. No início, fazemos isso em voz alta; depois, passamos a fazer em voz baixa, sussurrando; é o que se chama vocalização. Pessoas que não avançaram muito nos estudos além da alfabetização costumam permanecer nesse estágio. Mas a maioria de nós, com a prática, passamos a ler de boca fechada, mas reproduzindo os sons mentalmente, em nossa cabeça. É o que se chama subvocalização. É nesse estágio que a maioria das pessoas fica.

Pois bem. As técnicas de leitura dinâmica visam avançar para um outro estágio, em que a vocalização e a subvocalização sejam eliminadas, e o cérebro passe a ligar as imagens das palavras diretamente aos significados delas, sem verbalizar ou imaginar suas pronúncias. É mais ou menos como leem os chineses, que têm um sistema de escrita não baseado em sons. Os ideogramas representam palavras e conceitos que se combinam para formar outros termos, de palavras a sentenças.

Acontece que exames sofisticados, que mapeiam a atividade cerebral em tempo real, enquanto as pessoas estão lendo, revelaram que essa ligação direta entre imagem e sentido normalmente não ocorre. O cérebro sempre faz a ponte entre a imagem da palavra, seu registro auditivo e seu significado. Porque é assim que ele aprendeu a ler! Os leitores mais experientes têm mais ligações entre as regiões do córtex cerebral responsáveis por essas aptidões, e por isso eles conseguem ler mais rápido. Mas nunca deixam de “ouvir” as palavras em sua mente.

O que acontece com a maioria das pessoas que dizem ter superado o estágio da subvocalização é que elas simplesmente não registram todas as palavras que leem em alta velocidade. As imagens das palavras chegam ao seu córtex visual, mas como o córtex auditivo não é ativado, os significados delas não são recuperados da memória, e o raciocínio fica prejudicado. Somente uma parte das palavras faz o circuito completo, e por isso o entendimento que a pessoa ganha do texto que leu é parcial, incompleto. De fato, essa é a queixa de muitos que treinaram leitura dinâmica, que eles retêm menos informações daquilo que leem.

Não use técnicas de memorização.

Existem várias. E elas funcionam. Mas não servirão pra você. Não vou descrevê-las aqui. Apenas saiba que todas elas são feitas para te ajudar a memorizar listas de coisas desconexas. Podem ser números, palavras, nomes, conceitos, siglas, qualquer coisa. O truque é sempre criar conexões artificiais, fantasiosas, originais, e até absurdas entre os itens a serem memorizados.

Mas por que essas técnicas não vão servir pra você? Porque as coisas que você vai ter que memorizar não são itens desconexos! Todos os assuntos que você vai estudar, em princípio, são interligados, dos mais gerais aos mais específicos. O que você precisa é que esses assuntos sejam apresentados a você de uma maneira que enfatize essas interligações conceituais. Bons professores, bons livros (como os que eu indico) e bons roteiros de estudo (como os que eu elaboro) fazem isso.

Certo, de vez em quando aparecerão nos seus estudos algumas listas de coisas desconexas. Os prefixos latinos e gregos em Português, os sufixos das substâncias químicas, as listas de obras de um autor em Literatura, os nomes dos polígonos regulares em Geometria. As técnicas de memorização, em princípio, poderiam te servir nesses casos. Mas a melhor técnica de todas é fazer exercícios em quantidade e variedade, e repetidamente. Voltarei a isso mais adiante.

Técnicas de memorização só são verdadeiramente úteis, e até imprescindíveis, para algumas situações em que a pessoa precisa reproduzir oralmente com grande correção, e até mesmo exatidão, um monte de frases. É o caso típico dos atores que têm que decorar falas, ou de oradores que precisam discursar sem se apoiar em textos, contando unicamente com a sua memória. Mas esse não vai ser o seu caso na hora de fazer o Enem, um vestibular ou um concurso público. A não ser que esses exames passem a incluir uma prova oral…

Não sublinhe, não releia, não resuma.

Estas são as três técnicas de estudo mais usadas por estudantes em grande parte do mundo. E são as mais ineficazes e ineficientes. Quase que totalmente inúteis. Não sou eu que digo; são pesquisadores que se debruçaram sobre a efetividade das técnicas de estudo mais comuns. E não foi preciso nenhum exame sofisticado de atividade cerebral. Bastou dar textos para jovens estudarem usando uma ou outra técnica, e depois aplicar testes para ver o quanto do conteúdo estudado eles conseguiram assimilar. Tão simples, que admira que ninguém tenha tido a ideia de fazer isso antes!

Num primeiro contato com um assunto novo, especialmente se for de difícil entendimento, você pode precisar ler mais de uma vez o texto explanatório, ou partes dele. Também quando você errar um exercício, pode precisar retornar à parte do texto que tem os conhecimentos necessários para você entender seu erro. Mas depois, a título de revisão posterior, releituras não servem, porque são “passivas”.

Quando você viaja de ônibus ou de carro pra um lugar pela primeira vez, durante a viagem você costuma prestar atenção na paisagem, não é? (Se você não estiver dirigindo, claro, porque o motorista tem que prestar atenção é na estrada!) Porque, para o seu cérebro, aquela paisagem é novidade. Na segunda, terceira vez, você ainda presta atenção em alguns trechos da viagem. Mas depois de dez vezes indo e voltando pelo mesmo caminho, sua mente divaga… Porque não é mais novidade.

Com as leituras que fazemos, é a mesma coisa! Na primeira vez que lemos um texto, é uma “paisagem nova” para o cérebro. Então, prestamos atenção, e aprendemos, memorizamos. Mas depois de duas, três vezes, o texto deixa de ser novidade para o cérebro, e a nossa mente divaga. O texto conhecido passa pelos nossos olhos como a paisagem conhecida vista pela janela de um carro, e não retemos mais nada na memória que já não estivesse guardado antes.

Quanto às releituras sistemáticas, em silêncio, em voz baixa ou em voz alta nas vésperas das provas, até podem servir para decorar sentenças que sintetizem informações que serão cobradas. (São uma técnica de memorização, aliás, a famosa e infame “decoreba”.) Mas as informações desaparecem da memória assim que você entrega a prova. (Seu cérebro é esperto, sabe que não vai mais precisar daquela “baboseira”.) Você até pode tirar dez, mas se a professora der outra prova sobre o mesmo assunto de surpresa no dia seguinte, poderá tirar zero. (Tá, exagerei; afinal, um CDF como você nunca tira zero. Mas poderá tirar uma “nota vermelha”, tipo seis ou cinco, como seus colegas medío… digo, medianos.)

Outra técnica muito comum, sublinhar ou grifar, só serve para fazer dos estudantes bons sublinhadores ou grifadores de texto, e também para borrar as páginas dos livros; mais nada. É outra atividade passiva, no sentido de que você não precisa usar muito do seu raciocínio ou de sua memória para fazer. Sim, você precisa usar algum raciocínio e alguma memória para identificar as partes “mais importantes” do texto. Mas isso você faz ao ler ou reler o texto com atenção, das primeiras vezes. Sublinhar ou grifar é só um procedimento mecânico.

Fazer resumos com partes “copiadas e coladas” do texto original só não é pior que copiar o texto na íntegra — porque desperdiça menos tempo. A cópia pura e simples, mesmo que somente de “frases principais”, não requer que as informações presentes no texto sejam trabalhadas em novos raciocínios. No máximo exige uma adequação gramatical para os termos oracionais (sujeito, predicado, etc.) se “encaixarem” uns com os outros em sentenças ligeiramente modificadas. E a memória requerida para isso é a mais efêmera e superficial de todas. Você só precisa manter na mente um punhado de palavras lidas do livro pelo breve tempo necessário para escrevê-las no caderno.

Como fazer, então? O segredo são os exercícios. Mas não quaisquer exercícios, feitos de qualquer jeito, num momento qualquer. São exercícios de determinados tipos, arrumados em determinadas sequências, distribuídos em determinados momentos. Veja na página O Que Funciona na Hora de Estudar.