Mas Aonde Mesmo Você Quer Chegar?

Tem um ditado que diz: O vento nunca sopra a favor de que não sabe para onde está indo. Muita gente reclama da vida, que seus planos não dão certo, que não consegue sair do lugar, enfim, que “o vento é contrário”. Mas muitas vezes essas pessoas não sabem onde querem chegar; por isso desperdiçam tempo, dinheiro e energia em esforços inúteis.

Todos temos que enfrentar obstáculos para alcançar o que pretendemos. Alguns se deparam com mais e maiores obstáculos que outros. Mas a diferença entre os que conseguem superar obstáculos e os que não conseguem tem menos a ver com a capacidade inata ou as condições adversas, e mais com ter um objetivo bem definido.

Por isso, antes de traçar um programa de estudos, é necessário você saber pra que você quer estudar tanto. Ou, dito de outra forma, é preciso que você decida, afinal, o que você vai ser, agora que já cresceu! Se você é mesmo um CDF, então você não deve se contentar com menos do que uma profissão de nível superior, que exige uma Graduação, ou “fazer faculdade”, como se diz no popular.

“Ah, mas pra que eu preciso fazer faculdade se o Bill Gates e o Steve Jobs não fizeram?” Porque você não é o Bill Gates nem o Steve Jobs! Nem vive numa “terra de oportunidades” como os Estados Unidos. Eles eram gênios criativos e feras nos negócios, e cresceram em circunstâncias políticas, econômicas e culturais bastante propícias para realizarem todo o seu enorme potencial. E eles mesmos sempre tiveram consciência de sua excepcionalidade única de talentos e de circunstâncias. Nunca, em suas incontáveis palestras e entrevistas, aconselharam ninguém a desistir de uma graduação, como eles fizeram.

Também não dê muita trela para esse papo que virou moda ultimamente, de que as “profissões do futuro” exigirão cada vez menos cursos longos de graduação, que os “novos saberes” não cabem na educação tradicional, e que o diploma será cada vez mais só um “pedaço de papel”. Os “consultores” que ganham dinheiro pra dizer essas coisas têm os seus diplomas emoldurados bonitinho na parede. Nunca ouvi nenhum deles dizer que rasgou o seu “pedaço de papel”…

A verdade é que, para a maioria dos mortais, especialmente os que deram o azar de nascer num país tão desigual como o Brasil, cada ano a mais de estudo representa mais dinheiro no bolso, e um bom diploma de graduação pode tirar você da pobreza direto para a classe média alta! (Ou evitar que você decaia da riqueza para a classe média baixa…)

Então, procure saber qual é a mais conceituada universidade de seu Estado ou de sua Região, e que tenha o curso que você pretende fazer, e mire nela: é lá que você deve estudar. Provavelmente será uma universidade pública; mas também existem boas universidades particulares, como as PUCs (Pontifícias Universidades Católicas). Só que elas são exceção — e custam caro!

Atualmente, com o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), você não precisa limitar sua escolha ao seu Estado e Região; pode concorrer a vagas em quase qualquer universidade pública do País. Mesmo assim, seja realista: quanto mais longe você for estudar, mais caro será para seus pais te manter lá — ou mais difícil para você mesmo trabalhar e se manter.

Tente também a segunda e a terceira instituições mais conceituadas nos estados em que você acredita que pode ficar, para os cursos que você gostaria de fazer. Porque, por mais preparado que você esteja, ainda assim haverá vários candidatos mais preparados que você, de maneira que você pode ficar de fora da melhor entre as melhores.

Isso não significa, necessariamente, que você seja menos inteligente que os outros; pode ser apenas que eles tenham mais sorte, ou mais tranquilidade, na hora das provas. Nos cursos mais disputados, às vezes a diferença nas notas dos candidatos que entram e os que ficam de fora é de pouquíssimos pontos, dentro do que seria uma margem de erro estatística. Só que um critério tem que ser usado para preencher as vagas, e no Brasil, o critério das diferenças no número absoluto de pontos é o menos injusto, e por isso, o mais empregado.

A escolha do curso propriamente é mais difícil. Menos mal que você tenha ao menos três anos, o quanto dura o Ensino Médio, para se informar e escolher — o Guia do Estudante está aí pra isso. Um conselho de amigo: ao invés de você ficar perdendo tempo, e às vezes dinheiro, com “testes de personalidade” e “orientadores vocacionais”, simplesmente identifique as disciplinas que você mais gosta e as que menos gosta na escola e escolha um curso de Graduação que tenha somente, ou majoritariamente, aquelas que você gosta, e não tenha nenhuma, ou tenha muito poucas, daquelas que você não gosta. Parece óbvio, e de fato é! Tanto que, em geral, dá certo.

Já se você é daqueles CDFs (como eu) que gostam igualmente de todas as disciplinas (se você desgosta igualmente de todas, você não é um CDF), aí, evidentemente, o critério tem que ser outro. Nesse caso, escolha a carreira que tenha mais demanda no mercado de trabalho, ou seja, que sobram vagas sem ter quem as ocupe, e que por isso mesmo costuma oferecer salários mais elevados. Porque, se você se amarra igualmente em Matemática, Biologia e História, você tende a gostar igualmente dos cursos de Engenharia, Medicina e Filosofia; mas, depois de formado, vai gostar mesmo é da carreira em que você correrá menos risco de desemprego, e terá oportunidade de ganhar mais dinheiro.

Tenha em mente também que, diferentemente dos seus avós, escolha que você fará não será da carreira que você terá que seguir “pro resto da vida”. As pessoas sempre mudaram de emprego, de profissão e de carreira, pelo menos desde que a escravidão e a servidão compulsória foram abolidas. Mas, a cada geração, mais e mais pessoas mudam de ocupações e de ofícios, e mudam mais vezes e mais rápido ao longo da vida. Eu mesmo, que provavelmente sou da geração dos seus pais, não trabalho mais na minha área de formação. E a esmagadora maioria dos meus antigos colegas de faculdade também não! Dez anos depois de formados, a maior parte de nós já tinha mudado de ramo. E raramente foi porque desgostamos da profissão; mas porque outras e melhores oportunidades foram surgindo, em áreas correlatas, ou mesmo mais distintas.

A diferença para a sua geração é que, enquanto eu e meus antigos colegas geralmente nos fixamos na segunda ou terceira carreiras, vocês provavelmente vão mudar de ramo várias vezes, a cada cinco ou dez anos. Mesmo que vocês não queiram, poderão ser obrigados a isso, pelo simples fato de suas profissões deixarem de existir! (Ou mudarem tanto que se tornem irreconhecíveis, o que, na prática, dá no mesmo.

Eu te digo isso não pra te afligir, mas para te despreocupar. Hã? Isso mesmo. A escolha que você fará de seu curso universitário vai definir apenas a sua primeira carreira, aquela que vai te dar independência financeira de seus pais, te fazer “dono do próprio nariz”. Mas, venha você a gostar dela ou não, em cinco anos, se tanto, você já terá mudado seu rumo profissional. Então, se você, em algum momento, se der conta que a profissão que você escolheu não é bem aquilo que você pensava, não será o fim do mundo.

Claro, se você se desencantar ainda no primeiro ou segundo ano da sua graduação, será melhor largá-la e tentar outro curso no ano seguinte. Mas não vá fazer isso quando estiver já no último ano! Nesse caso, termine o curso, comece a trabalhar naquela área, e então, quando já for capaz de se sustentar, faça o curso do seus sonhos. Porque os seus pais não terão obrigação nenhuma de pagar suas contas quando você já for um marmanjo de 25 anos, e já tiver tido a oportunidade ― verdadeiro privilégio em nosso país ― de cursar uma faculdade.

Você talvez não se dê conta agora, mas uma das melhores coisas em ser jovem é poder se dar ao luxo de errar em suas escolhas. (Desde que não sejam potencialmente catastróficas, evidentemente, como experimentar drogas, dirigir embriagado, ou fazer sexo sem proteção, por exemplo.) Porque, provavelmente: 1) as consequências dos seus erros afetam diretamente apenas a você, e não outras pessoas que dependem de você, como filhos pequenos ou pais muito idosos; 2) você ainda tem muito tempo de vida pela frente para consertar as consequências dos seus erros, uma vez tendo aprendido com eles.

Mas talvez você observe os seus pais lutando todos os meses para fechar o orçamento doméstico no azul e se dê conta de que, realisticamente, eles não poderão sustentar você nos quatro ou mais anos que duram uma Graduação, qualquer que seja ela. De modo que você vai ter que trabalhar para se sustentar tão logo termine o Ensino Médio ou chegue à maioridade. Nesse caso é mais difícil, mas não impossível. Faça um curso técnico simultâneo ou logo após o Ensino Médio, comece a trabalhar e custeie você mesmo sua faculdade. E vale aqui a mesma recomendação feita para a escolha do curso universitário, ou seja, escolher o curso técnico que tenha mais disciplinas que você goste e menos disciplinas que você não goste.

Claro, se você tiver que trabalhar e estudar durante a faculdade, você terá menos tempo para assistir as aulas (provavelmente terá que ser no período noturno), para estudar para as provas e para fazer os trabalhos e pesquisas do curso. Mas é só você se programar, desde o início, para concluir o curso não em quatro anos, mas em seis. Na faculdade é possível fazer isso porque você se inscreve não no “primeiro ano” ou no “segundo ano”, com todas as disciplinas de uma só vez, como é no Ensino Médio. Ao invés disso, você se matricula, a cada semestre, em disciplinas isoladas, de sua (quase) livre escolha.

Existe uma grade curricular recomendada de disciplinas para cada “período” letivo (um “semestre”, que a verdade é um quadrimestre), mas você não é obrigado a seguir à risca a sequência listada na grade. Você pode optar por fazer, ao invés das cinco ou seis disciplinas num determinado período, apenas três ou quatro. Claro que você vai demorar mais pra se formar desse jeito; mas, se você tiver que trabalhar, você praticamente não terá outra escolha. Porque a grade curricular de quatro anos é pensada para atender os estudantes que não trabalham, ou que no máximo fazem estágio (um “semitrabalho” de menos de oito horas diárias).

Se você trabalhar enquanto fizer faculdade e tentar se formar em quatro anos, o que vai acontecer é que você não vai dar conta de tudo, por absoluta falta de tempo para os estudos, e vai acabar reprovado em várias disciplinas, atrasando sua formatura de qualquer maneira. O quê, você duvida? Pois as universidades públicas estão cheias de alunos CDFs iguais a você, que só tiravam dez na escola, e que tiraram as primeiras “notas vermelhas” de suas vidas depois que passaram nos vestibulares mais concorridos do País. (Eu mesmo fui um desses, confesso…) Vários deles foram mesmo reprovados algumas vezes em mais de uma disciplina; em geral porque não souberam planejar seu curso dentro de suas limitações de tempo. Você não é mais capaz do que eles; mas pode ser mais precavido.

Bem, talvez eu tenha errado no título dessa postagem. A questão não é tanto aonde você quer chegar, mas por qual caminho você pretende seguir…

15 comentários em “Mas Aonde Mesmo Você Quer Chegar?”

  1. Tudo certo, Serjão?
    Aproveitando a moda dos comentários também gostaria da tua opinião.
    No meu caso, estou no penúltimo ano para prestar o concurso que tanto almejo (EsPCEx).
    O que ocorre é que estou há cerca de um ano estudando e somente na virada do ano passado para esse que encontrei um curso preparatório à distância com uma didática à qual me adaptei e notei progresso.
    A prova ocorrerá em 3 meses mas, de todas as disciplinas do concurso, ainda não sinto firmeza a nível de ser aprovado somente em física, matemática e química (o restante, modéstia parte eu ”me garantiria”). Aconteceu que nesse mês ganhei a coleção física clássica (a antiga, de 5 volumes) como também a coleção completa dos fundamentos da matemática elementar, ambas do edital da prova…sim, tenho uma excelente vó… e desde então, pelo estudo dessas coleções, percebi meu nível de entendimento melhorar bastante.
    A grande questão é: deveria utilizar esses meses restantes estudando o possível dentro dessas matérias afim de ter a chance de mais acertos ou estudar tais disciplinas pelas coleções mencionadas desde agora para ter um nível bem mais sólido para a prova do ano que vem? (que será minha última oportunidade).

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    1. Olá, Gabriel. Se este ano é sua penúltima chance, tente passar de uma vez. Como faltam apenas 3 meses para as provas, não estude essas coleções de capa a capa. Estude por esses livros, mas somente os assuntos que constam no edital da EsPCEx.

      Experimente fazer assim. Pegue as provas do último concurso e tente resolver. As questões que você não souber, ou que você errar, estude nos livros somente os assuntos relacionados a essas questões. Depois, refaça elas. Se errar de novo, consulte as resoluções completas delas, se você conseguir encontrar.

      Pode ser que a causa do erro não seja uma compreensão deficiente do assunto, mas um raciocínio mais elaborado que você não conseguiu desvendar. Quando você entender a resolução, refaça a questão, procurando lembrar os passos, sem copiar diretamente do gabarito, pra você fixar o raciocínio na mente.

      Quando você tiver conseguido resolver e acertar todas as questões do último concurso, passe para as provas do penúltimo concurso e faça a mesma coisa. Quer dizer, resolva todas as questões, estude os assuntos das questões que errou, refaça essas questões, consulte as resoluções daquelas que você errar de novo, refaça estas novamente.

      Passe então para as provas do antepenúltimo concurso, e repita as operações. Vai fazendo assim até chegar às vésperas das provas.

      Assim, você vai, aos poucos, dominar os assuntos que mais caem nas provas, se familiarizar com os estilos das questões, treinar os raciocínios mais difíceis, e ganhar confiança para o concurso.

      Depois, se você passar, antes de começar as aulas você estuda as partes que ficaram faltando daquelas coleções, para completar o seu conhecimento, e você poder começar o curso com o pé direito.

      Somente se você não passar desta vez é que você deve retomar os estudos daquelas coleções na íntegra, de capa a capa. Aí você terá tempo, até as provas do ano que vem, pra completar os livros e se preparar melhor.

      E não esquece, depois, de vir aqui contar como foi. Bons estudos!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Olá, Serjão!
    Eu preciso de uma opinião sobre minha escolha de curso. Sei que não deveria terceirizar minha decisão, mas necessito de uma segunda opinião.
    Faz sentido eu cursar 2 graduações na área de computação/tecnologia? Seria perda de tempo?
    Eu estou no 3º ano do ensino médio e trabalho como Aprendiz em uma multinacional farmacêutica, que oferece ótimos programas de estágio. Por isso preciso ingressar em curso um pouco mais longo (tentaria um tecnólogo em último caso), mesmo não sendo na mesma empresa.
    Minhas condições financeiras não me permitem parar de trabalhar e fazer a graduação em uma universidade pública, então teria que optar por uma particular, até juntar algum dinheiro. As opções de cursos na particular (universidades privadas mais comuns) são pouquíssimas, então acabaria fazendo ciências da computação ou sistemas da informação, mas são justos esses cursos que queria cursar na USP, por conta das oportunidades que a experiência lá pode me trazer, no futuro..
    Obs: Apesar das Universidades oferecerem alguns auxílios, eu não passaria nos critérios. Minha família tem um renda razoável, porém não seria possíveis eles me sustentarem com tudo que eu necessitaria durante o curso.
    (Eu já havia mandado esse comentário, mas não apareceu como postado, então desculpe-me se enviei duas vezes)

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    1. Boa noite, Lucas! Os comentários não aparecem automaticamente. Eles precisam da minha aprovação para serem mostrados. Em geral eu leio e aprovo em poucos minutos. Mas às vezes, estou ocupado, e pode demorar um pouco.

      Pelo que entendi, você gostaria de fazer uma ou duas graduações na área de informática numa universidade pública, mas acredita que não conseguiria se manter, e por isso pensa em fazer faculdade particular.

      Há alguns pressupostos equivocados na sua análise, por você não saber como são as coisas na universidade.

      Primeiro de tudo, um curso em faculdade particular costuma sair mais caro que numa universidade pública, por causa da mensalidade.

      Uma universidade pública só sai tão ou mais cara que uma particular se você tiver que se mudar de cidade pra estudar na pública e não precisar se mudar pra estudar na particular. Porque aí, o que você economizaria de mensalidade gastaria com moradia e transporte.

      Se você tiver que se mudar para estudar na particular, esta sairá mais cara. Ou se você não precisar se mudar pra cursar a pública, esta será menos cara.

      Mas no caso da USP, tem uma enorme vantagem, que são os alojamentos para estudantes de fora. Morando no campus, você não gastaria com aluguel nem transporte.

      Quer dizer, a USP só será mais cara que uma particular se você tiver que se mudar de cidade e não conseguir vaga no alojamento. Se você conseguir vaga no alojamento, ou se morar não muito longe do campus, ela provavelmente sairá menos cara.

      (Não sei quão fácil ou difícil é conseguir vaga no alojamento da USP. Você teria que se informar melhor na própria universidade.)

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    2. Bom dia! Continuando… Você diz que sua família tem renda razoável, mas que, mesmo assim, não poderiam te sustentar durante o curso, e por isso você precisará trabalhar para se manter. Mas talvez o custo de cursar uma graduação, seja ela pública ou privada, possa ser *dividido* entre você e sua família.

      Além disso, você deve estar consciente de que, como não é de família rica, sua graduação será, de qualquer jeito, um período muito difícil em termos de dinheiro. É assim pra maioria dos estudantes universitários, aliás. Dinheiro contado somente para o essencial, sem luxos, viagens, passeios, baladas, motéis, jantares em restaurantes, roupas de marca, celulares de última geração…

      A cada coisa que você pensar em comprar ou gastar, você terá que se perguntar, “Eu preciso disso para continuar o meu curso?” Se a resposta for negativa, você não deverá gastar. E o fato é que você não precisará de nenhuma das coisas que citei pra levar o seu curso adiante. Você terá que abdicar de confortos e prazeres pra alcançar seu objetivo. Mas falo por experiência: vale muito a pena!

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    3. Se você terá que trabalhar, seu problema maior será a falta de tempo para acompanhar o curso. Não só para estudar para as provas, mas para assistir as aulas mesmo. Você terá que se planejar, desde o início, para um curso mais longo, de cinco, seis anos. Ninguém que trabalha consegue se formar em quatro anos (numa boa universidade, pelo menos).

      Funciona assim: ao invés de você se inscrever em todas as disciplinas de cada período (digamos que sejam seis), você se inscreve em apenas quatro ou três. Com isso, você vai levar mais tempo para se formar, mas é o jeito. Se você se inscrever em todas as disciplinas de cada período, não vai dar conta, e acabará reprovado em algumas delas. E levará mais tempo para se formar de qualquer jeito, só que com notas baixas e um histórico ruim.

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    4. Por fim, sobre os cursos de informática. Esta é uma área tão dinâmica que quanto mais cursos você fizer, de graduação, pós-graduação, especializações, certificações, melhor será!

      Você terá que estudar intensamente a vida toda, tanto por cursos quanto por conta própria, apenas pra se manter “empregável”. Quem para de estudar está fora do mercado de trabalho. Mas, para quem está sempre se atualizando, não falta emprego. (Nem oportunidades de negócio, caso opte por abrir uma empresa.)

      O curso de Ciência da Computação é mais voltado para o desenvolvimento de software e a pesquisa acadêmica. (Engenharia da Computação lida mais com a parte do hardware.) Já o de Sistemas de Informação prepara mais para a gestão da tecnologia da informação dentro das empresas e organizações.

      A carreira de muitos profissionais de informática costuma começar na configuração de hardware e produção de software e gradualmente migrar para a gestão e comercialização de sistemas completos de hardware e software integrados. Por isso, é mais vantajoso fazer primeiro o curso de Ciência da Computação e depois o de Sistemas de Informação.

      Bons estudos e boa sorte!

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      1. Boa tarde!!

        Eu moro na região metropolitana de São Paulo, então não gastaria com alojamento, apenas com a passagem.
        Participei da feira de profissões da USP, no ano passado (on-line). Os estudantes de CC informaram que para esse curso seria inviável trabalhar e estudar, mesmo o curso sendo matutino. Porém, não conhecia essa dinâmica de se matricular em poucas disciplinas por semestre, que poderia me dar a disponibilidade de trabalhar meio período, caso eu precise.
        Sempre foi um sonho cursar computação em uma universidade pública, por prestígio e oportunidades que a mesma oferece.

        Darei continuidade à minha preparação para o vestibular, e claro com um outro plano B.
        Eu venho de escola pública, então não tenho uma boa base para a Fuvest. Se eu estudar 3 a 4 horas diárias consigo uma aprovação no ano que vem? Suspeito de não conseguir esse ano por conta que levará tempo para estudar matemática, para também não ficar travado nos primeiros semestres da faculdade…

        Sua análise me ajudou muito. Agradeço grandemente pela sua atenção, Serjão!

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      2. Boa tarde! É difícil saber o quanto alguém precisa estudar pra passar num determinado exame. Só tentando pra saber. Se esforce e arrisque! E fique atento às oportunidades que surgirem. Bons estudos e boa sorte!

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  3. Opa Serjão, beleza?
    Igual ao amigo acima, gostaria de uma opinião sua. Estou no 1 ano do Ensino Médio, e desde então venho pensando muito no meu futuro. Minha família tem condições, então sempre tive o desejo de estudar no exterior. Acredito que tenho capacidade para tentar uma bolsa numa faculdade boa nos EUA ou na Europa, mas sei que é muito difícil. Como já ganhei algumas medalhas em olimpíadas e gosto de matemática e de competições, comecei a estudar matemática olímpica pra tentar melhorar o meu currículo acadêmico, com o foco em pegar um ouro na OBM.
    O problema é que eu comecei muito tarde, eu vejo que a maioria tá muito a frente de mim. Venho estudando o dia inteiro mas mesmo assim sinto que não vou conseguir cobrir essa desvantagem. Tô gostando muito do conteúdo e de começar a resolver alguns exercícios, mas é extremamente desgastante pra mim, ainda mais considerando que a minha escola é técnica e não tenho muito tempo livre durante a semana. Eu penso em fazer algo relacionado a computação, mesmo que eu goste muito de matemática. Igual você falou no post: eu gosto de ambos, vou optar pelo que é mais relevante no mercado de trabalho. Você acha que vale a pena continuar estudando? Eu também pensei em me preparar para a OBI (Olimpíada Brasileira de Informática), que tem mais a ver com o que eu quero. Mas sei lá, matemática é bem mais desafiador e interessante, o problema é que eu vou me esforçar muito e não sei se vai valer a pena no fim. Meio que eu não tenho tempo livre pra aprender mais nada, entende? Eu poderia estar aprendendo um alemão e programação, mas a matemática tá consumindo todo meu tempo.

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    1. Olá, Gabriel! Dá gosto conversar com um estudante assim, ambicioso (no bom sentido) e determinado! Mas vamos lá; tentarei ser o mais objetivo possível.

      Pelo que você descreveu, você está numa encruzilhada na vida (apenas a primeira de muitas, pode ter certeza), e não sabe qual é o melhor caminho. Você gostaria de ir por todos eles, mas sabe que isso é impossível. Você vai ter que escolher um, e desistir dos outros, ou, pelo menos adiá-los.

      Primeiro, uma reflexão “filosófica”. Você disse que tem receio de se esforçar muito pra uma Olimpíada de Matemática, mas não sabe se vai valer a pena *no fim*. Você não escolhe um caminho acadêmico ou profissional pensando no “fim”, mas sobretudo *no meio*. O fim é apenas o ponto de chegada: uma medalha olímpica, um diploma de graduação, um contrato de trabalho, um negócio próprio. O que torna a jornada interessante, o que faz ela valer a pena, é o que você vai encontrar ao longo do caminho, não o que você vai encontrar ao final dele. Isso vale tanto para as olimpíadas como para a sua futura graduação, no Brasil ou no exterior, e ainda, de uma maneira mais imediata, pro seu Ensino Médio Técnico.

      Agora, sendo pragmático. Você precisa estabelecer prioridades nos seus sonhos s planos. A primeira deve ser o seu colégio regular, seu curso técnico, de Ensino Médio. Sem ter um bom desempenho nele, tudo o mais perde o sentido. Então, dedique-se prioritariamente a isso.

      Segundo, o que eu escrevi no post, sobre escolher, dentre as áreas que você gosta, a que dá melhores perspectivas de arrumar bons empregos e altos salários, é uma escolha de qual curso de graduação fazer, não quais disciplinas estudar mais no Ensino Médio. Você pode muito bem fazer as Olimpíadas de Matemática agora e, depois, no Sisu, ou no processo seletivo pra uma universidade estrangeira, optar por Ciência da Computação. Tem muita matemática nessa área.

      As Olimpíadas de Matemática abrem muitas portas acadêmicas para os estudantes bem colocados, tanto no Brasil quanto no exterior: bolsas de estudos, iniciação científica… E é uma coisa que você só pode fazer agora, enquanto está na escola. Então, talvez, esta deva ser sua segunda prioridade. Mesmo que você não se saia muito bem na sua primeira olimpíada, pelos motivos que você expôs (começo tardio, pouco tempo para estudar), nas seguintes você certamente se sairá melhor.

      Se você quer mesmo estudar no exterior, o Inglês (não o alemão, ou qualquer outra língua) deve ser sua terceira prioridade. Ele te servirá em todos os países desenvolvidos, não só os de língua inglesa. Você deve fazer um cursinho que te leve pelo menos ao nível Upper Intermediate. (Consulte meu post sobre “Como Estudar Inglês”.

      E, por incrível que pareça, não é necessário você aprender programação previamente, antes de ingressar na faculdade. Você vai “reaprender” tudo de novo quando estiver na faculdade. Até lá, concentre seus esforços em disciplinas mais básicas, como Matemática e Inglês.

      E, acima de tudo, “curta a viagem”!

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      1. Obrigado por responder!
        Nunca tinha pensado nessa de tomar algumas decisões baseadas no “meio” e não no fim. Faz bastante sentido. Vou tentar seguir essas prioridades. O inglês é mais ou menos tranquilo pra mim, eu comecei a estudar alemão por gostar da cultura alemã e da língua em si. Mas sempre tem como melhorar mais. Muito obrigado mesmo pelas dicas!

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      2. A menos que você pretenda estudar na Alemanha mesmo, eu diria pra você deixar o alemão pra depois. É algo que, em princípio, você pode aprender em qualquer época futura. Mas um bom desempenho no seu curso técnico e em olimpíadas de matemática você só pode ter agora! Quanto ao inglês, se você já tem uma boa base, busque progredir até o nível avançado. Veja se consegue, ao final do seu Ensino Médio, fazer um exame de certificação internacional de fluência no idioma, como o TOEFL e o IELTS. Bons estudos!

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  4. Olá, Sérgio gostei bastante do seu blog, sei que você não é coach mas queria uma opinião sua. Tenho 20 anos (quase 21) e estou me formando em um tecnólogo numa IF aqui de curitiba, num curso que eu pessoalmente não gosto.

    Nunca gostei da ideia de fazer ensino superior convencional e nunca me imaginava trabalhando num escritório das 09 às 17h, e por ironia do destino isso é exatamente o que faço hoje em dia. Quero sair dessa situação, pois meu sonho era ser oficial da marinha, mas nunca fiz um concurso pois sempre tive a crença limitante de que não mereço as coisas que conquisto (uma sindrome de impostor grave) que me limita em tudo o que quero. Pra mim o fato de ter conseguido entrar na IF e ter conseguido um trabalho num escritório renomado é um simples acaso, tudo na sorte. Estou trabalhando nesse problema com minha psicóloga.

    De qualquer forma não quero seguir nesse caminho, meu sonho sempre foi servir a Marinha, tendo a Escola Naval como primeira opção e a EAM como segunda. Visando que tenho quase 21 anos, qual seria a forma mais adequada para estudar com um ano e meio de preparo? em casa? ou pego minha dinheiro guardado e faço cursinho presencial no RJ (onde os presenciais são fortes)? A princípio teria que estudar Matemática (Nível universitário com cálculo e algebra linear), Física, Português e Inglês.

    Se puder passar um bizu sobre minha situação e indicar alguns livros, ficaria agradecido.

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    1. Olá, Eugenio. O mais importante você já está fazendo: trabalhando com sua psicóloga para se livrar da “síndrome do impostor”. Se a cabeça não estiver boa, nenhuma estratégia de preparação vai funcionar.

      Um problema é que, para ingressar na carreira militar como você quer, tem um limite de idade (23 anos, salvo engano), e você já está perto desse limite. Então, acho muito arriscado você estudar por conta própria, porque você só vai ter uma chance de acertar!

      O mais seguro pra você alcançar seu objetivo é fazer um curso preparatório com um bom histórico de aprovação para a EN e a EAM. (E bom histórico não significa os primeiros lugares, como os cursinhos gostam de propagandear, mas sim um alto percentual de alunos que conseguem vaga todos os anos.) Talvez, por causa da pandemia, você nem precise se mudar pro Rio, possa fazer o curso à distância, pelo menos no início.

      Outra coisa, você vai precisar sair do seu emprego atual para se dedicar integralmente ao estudo. Não só pra garantir horas suficientes, mas também pra ter a mente descansada.

      Você tem condições de fazer isso? Suas economias são suficientes pra você se sustentar por um ano ou mais sem trabalhar? Tem bens que possa vender pra reforçar o caixa (moto, carro)?

      Se necessário, você poderá contar com o apoio financeiro dos seus pais ou de outros parentes? Se você já mora sozinho, topa voltar pra casa dos pais pra economizar o aluguel? (Eles topariam?) Ir morar em casa de parentes ou amigos no Rio? Ou dividir o aluguel com um amigo, ou a namorada?

      Um bom planejamento será crucial para o seu sucesso. Mais do que quaisquer livros que eu possa te indicar.

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