Um Roteiro de Estudo para Fundamentos da Física

Eu tenho quebrado a cabeça, nos últimos dois anos, tentando bolar roteiros de estudo para as várias disciplinas que sejam completos, flexíveis e práticos. Roteiros que dividam todo o conteúdo em pequenas unidades que “caibam” nas sessões de estudo mesmo dos que têm pouco tempo pra estudar. Roteiros que incorporem revisões frequentes e sistemáticas para os estudantes não esquecerem os conteúdos antigos ao aprenderem conteúdos novos. Sobretudo, que sejam fáceis de serem seguidos, e adaptáveis a qualquer programação que os estudantes sigam.

Não é tarefa nada fácil, como vocês devem suspeitar. Elaborei vários “rascunhos” neste período, mas nenhum que eu achasse bom o bastante para disponibilizar pra vocês. Aos poucos, fui percebendo que é mais viável fazer isso não por disciplinas, mas por coleções específicas de livros. Porque cada obra tem uma estrutura interna própria, uma distribuição muito particular de porções de teoria e de exercícios, que precisa ser trabalhada dentro de um roteiro, de maneira diferente de outras obras.

Resolvi, então, começar pela coleção que estabeleceu o paradigma atual (vigente no Brasil há 40 anos) dos livros derivados de apostilas (ou inspirados nelas): os Fundamentos da Física, de Ramalho, Nicolau e Toledo. Aqui, no Guia do CDF, eu disponibilizo a “versão definitiva” desta coleção, que incorpora materiais complementares das edições oitava, nona e décima. São as leituras complementares, temas especiais, demonstrações, resoluções, exercícios extras. Só ficou de fora o Caderno de Revisão da versão Moderna Plus, que não consegui encontrar; mas um conjunto de “questões contextualizadas” no final serve como revisão geral da matéria. Todos esses materiais foram encaixados nos devidos lugares onde são mencionados no texto principal, de modo que você não precisa avançar até o final do capítulo para ler os textos complementares, nem até o final do livro para consultar as resoluções dos exercícios.

A partir de hoje, o arquivo inclui também um roteiro de estudo detalhado para esta versão, semelhante ao que fiz vários anos atrás com os Fundamentos de Matemática Elementar do Iezzi.(Quem já tinha baixado antes, baixe de novo.) Abaixo explico como funciona o roteiro.

Como se organiza o roteiro

O roteiro está incorporado no próprio arquivo PDF que montei a partir dos conteúdos dos livros. Se você abrir o arquivo no Adobe Acrobat Reader, aplicativo gratuito para computadores, você verá, no lado esquerdo da tela, um índice de toda a obra, formado por marcadores que são links internos para os diversos capítulos. Se você usar a versão para smartphones deste aplicativo, este índice vai estar inicialmente oculto; para mostrá-lo, você precisará tocar num ícone semelhante a um marcador de livro, que fica na parte de cima do aplicativo, quando você abre o arquivo. (A partir deste ponto, você vai precisar baixar e abrir o arquivo pra entender as instruções.)

Este índice inclui o roteiro. O que eu chamei de Roteiro Proposto é a ordem que eu recomendo que você siga, pra fixar o aprendizado de forma duradoura. Clicando (ou tocando) numa setinha para a direita junto de qualquer marcador, você expande o índice, mostrando as subdivisões do marcador clicado. Expanda o marcador “Roteiro Proposto”, pra você ver. Ali estão todos os capítulos dos três livros, sequenciados numa ordem que eu considero melhor que a original, porque respeita mais as dependências conceituais entre os assuntos.

Expanda um capítulo qualquer. Observe que ele está dividido em minitópicos, que também podem ser expandidos. Dentro deles, você encontra as subseções próprias do capítulo, com porções de teoria e de exercícios correspondentes. Cada minitópico reúne cerca de dez exercícios (às vezes, um pouco mais, outras vezes, um pouco menos), tanto resolvidos quanto propostos. Alguns minitópicos têm só exercícios, mas nenhum tem só teoria. Assim, logo de cara, só pela quantidade de minitópicos em que um capítulo está dividido, você já tem uma noção de quão extenso (e importante) ele é.

Entre os capítulos, você encontra minitópicos especiais, constituídos de exercícios de revisão de capítulos anteriores. Estes exercícios são os testes propostos do final de cada capítulo, os exercícios e testes extras da oitava edição e o banco de questões da nona edição. Capítulos menores têm menos revisões, capítulos maiores têm mais, distribuídas entre os capítulos posteriores. (A maneira como eu distribuí essas revisões entre os capítulos serve como exercício de matemática pra você.)

Os minitópicos de dentro dos capítulos e os minitópicos de revisão entre os capítulos são naturalmente trabalhados em sessões de estudo. Uma sessão de estudo é o tempo que você dedica para estudar a matéria sem interrupção num determinado dia ― o equivalente conceitual a um tempo de aula da escola. Mas não precisa durar exatamente o mesmo que uma aula na escola. Você pode fazer sessões de estudo de meia hora, com 25 minutos de leitura e escrita mais 5 de descanso; ou sessões de uma hora, com 50 minutos de estudo mais 10 de descanso.

Você deve dar conta de pelo menos um minitópico inteiro numa única sessão de estudo. Mas nada impede que você estude mais minitópicos em diferentes sessões de estudo num mesmo dia. Dependendo da sua disponibilidade de tempo, você pode fazer uma sessão de estudo de manhã e outra sessão de tarde ou de noite. Ou intercalar as sessões de estudo de Física com as de outras disciplinas. Quantos minitópicos você vai fazer por dia, ou por semana, em quantas sessões de estudo, depende da sua programação diária ou semanal.

Essa divisão de todo o conteúdo da coleção em minitópicos pode servir de base para a sua programação de estudos de mais longo prazo. Existem, no total, 610 minitópicos; se você planeja estudar toda a coleção em um ano, isso dá uma média de 610/12=51 minitópicos por mês, e 610/52=12 por semana. Se você estuda Física 4 dias na semana, serão 12/4 =3 minitópicos por dia de estudo.

Outra maneira de calcular, invertendo o raciocínio, é a seguinte. Suponha que sua disponibilidade de tempo para estudar todos os dias seja mais limitada. Você só pode estudar Física três dias na semana, uma hora por dia. Experimente seguir o roteiro por uma ou duas semanas e veja quantos minitópicos você consegue cumprir.

Suponha, então, que você descubra que consegue cumprir 8 minitópicos por semana. Quer saber quanto tempo vai levar para terminar todo o roteiro? 610/8=76 semanas. Quer saber quantos meses? 76/4,3=18 meses. (Esse 4,3 é o número de semanas no ano, 52, dividido pelo número de meses do ano, 12). Aí está uma estimativa realista do tempo que você vai precisar pra dar conta de todo o roteiro. (Se o exame que você vai fazer é antes desse prazo, este roteiro não vai servir pra você.)

Você já sabe que eu distribuí os exercícios dos finais de cada capítulo pelas revisões depois dos capítulos seguintes, até esgotarem os exercícios. Mas e depois do último capítulo do roteiro? Sobram muitas revisões que não têm mais capítulos onde encaixar. (Esses capítulos que faltam aparecem com o título Sem Nome no Roteiro.)

Uma sugestão é que você comece a estudar Química depois de estudar toda a Física. Isso faz sentido porque os capítulos sobre os modelos atômicos em Química só podem ser bem entendidos depois de se estudar Física Quântica, que está no final do roteiro de Física. Nesse caso, as revisões que estiverem sobrando ao término do roteiro de Física podem ser encaixadas entre os capítulos de Química.

A coleção Química na Abordagem do Cotidiano, de Tito e Canto, na edição da Moderna Plus, se encaixa perfeitamente nessa estratégia. Dá pra você distribuir as revisões de Física no fim do roteiro entre todos os capítulos da coleção de Química, pra você não esquecer nada do que aprendeu.

Estudar toda a Física antes e toda a Química depois é mais viável para quem começa o roteiro de Física ainda no primeiro ano do Ensino Médio. Pra quem vai iniciar o roteiro já no meio do segundo ano, dependendo da disponibilidade de tempo, pode ser melhor estudar Física e Química em paralelo, ao invés de uma seguida da outra. Nesse caso, quando acabarem os capítulos de Física, apenas ignore os capítulos Sem Nome indicados no roteiro e faça as revisões restantes de Física na ordem em que elas aparecem listadas.

Como estudar seguindo o roteiro

Quando você for estudar um minitópico que tenha teoria e exercícios, faça assim. Primeiro, leia os enunciados dos exercícios, para ter uma noção do tipo de problemas que você aprenderá a resolver ao estudar o capítulo. (Essa é uma adaptação da técnica de estudo do “questionário prévio”.) Tome nota de termos e símbolos que você desconhece que aparecerem nos enunciados dos exercícios. Estes são os conceitos novos que você aprenderá neste minitópico, e terá que compreender bem ao ler a exposição teórica.

A seguir, leia o texto teórico. Você já deve ter lido ou ouvido conselhos de fazer a leitura de um texto repetidas vezes: uma primeira leitura, rápida, pra ter uma noção geral do assunto; uma segunda, mais demorada, para entender suas minúcias; uma terceira, ligeira, para repassar as ideias essenciais. Isso pode ser útil em textos longos, sobretudo de disciplinas de Humanas. Mas livros de Física (e também Química e Matemática) trazem textos curtos e objetivos, que dão pra entender perfeitamente com uma única leitura atenta.

Enquanto lê o texto teórico, fique atento para quando aparecerem aqueles termos e símbolos novos, que você identificou nos enunciados dos exercícios. Escreva numa folha à parte o significado de cada um deles. No final, ao invés de fazer um resumo do que você estudou, você elabora um questionário teórico, com perguntas e respostas. (Perguntas como “O que é…”, “O que significa…”, “O que acontece…”, “Como se faz…”, “Qual a diferença…”, “Por que tal coisa…”) Elas devem cobrir todos aqueles conceitos, termos e símbolos importantes que você identificou no texto. (Não serão muitas; afinal, os minitópicos, como o nome sugere, trazem pequenas porções de teoria.) Guarde essas perguntas para etapas de estudo posteriores.

Quando você for elaborar as respostas das questões teóricas, use frases completas, ao invés de apenas palavras soltas ou equações. Por exemplo, se houver uma pergunta como “Qual é a fórmula da Segunda Lei de Newton?”, você não vai escrever simplesmente “F=m.a”, mas sim, “A fórmula da Segunda Lei de Newton é ‘F=m.a’, onde ‘F’ é a força que age sobre um corpo de massa inercial ‘m’ conferindo a ele uma aceleração ‘a’.” Mais tarde, quando você já tiver assimilado a informação, é que você vai poder sintetizá‐la numa forma mais esquemática.

Depois de elaborar as questões teóricas, passe para os exercícios resolvidos. Trate eles, num primeiro momento, como exercícios propostos; ou seja, tente resolvê-los sem olhar as resoluções, se baseando somente no que você entendeu da teoria. Se você conseguir, ótimo! Leia então, a resolução dada no livro e compare com a sua, pra ver se o seu raciocínio foi o mesmo do autor, ou se a maneira como ele resolveu os exercícios é mais fácil ou mais rápida que a sua.

Se você não conseguiu resolver os exercícios resolvidos antes de olhar as resoluções, não se desespere achando que não entendeu nada. É normal ter certa dificuldade de aplicar a teoria na prática de início. Leia agora as resoluções com atenção. Logo depois, tente resolver eles de novo, procurando lembrar os passos das resoluções, sem olhar no livro. Isso é pra ajudar você a memorizar os raciocínios empregados nesses tipos de questão.

Depois dos resolvidos, você passa para os exercícios propostos. Tente resolver eles sem consultar os exercícios resolvidos semelhantes, ou o texto teórico – ou seja, tentando lembrar os conceitos, as técnicas e os procedimentos empregados. Aliás, essa é uma constante em todos as atividades que eu proponho no roteiro: lembrar, ao invés de consultar; forçar a memória, ao invés de tomar o caminho fácil da releitura. É assim que o “gerenciador de memória” dentro de seu cérebro vai identificar o que é importante, que ele precisa guardar na chamada memória profunda. Somente o que você não conseguir lembrar de jeito nenhum pra fazer o exercício você consulta no livro.

Depois de resolver os exercícios propostos (ou pelo menos tentar), você, obviamente, vai conferir as respostas, pra ver se acertou. Independentemente de você ter acertado ou errado, consulte, logo depois, as resoluções dos exercícios. Porque, mesmo que você tenha acertado a resposta, e não tenha restado nenhuma dúvida sobre como resolvê-los, muitas vezes as resoluções do livro vão chamar atenção para detalhes importantes da teoria que são utilizados ali, ou mostrar um procedimento ligeiramente diferente daquele que você usou.

E, claro, se você tiver errado a resposta, ou nem tiver conseguido chegar a uma resposta, a resolução vai mostrar onde você se perdeu. Compare a resolução do livro com a sua, pra identificar exatamente o que você fez de errado. Às vezes, é uma bobagem, fruto de desatenção, como esquecer um expoente, ou mudar um sinal sem querer; mas você vai saber que precisa prestar atenção nisso no futuro. Outras vezes, será uma falha grave no seu raciocínio, talvez fruto da incompreensão de algum aspecto importante da teoria, ou do emprego equivocado de uma técnica mostrada nos exercícios resolvidos. Se for o caso, retorne ao texto teórico ou aos exercícios anteriores, pra repassar o que for.

Qualquer que seja a razão do erro, não basta você identificar o que errou. Refaça os exercícios propostos que você errou logo depois de consultar suas resoluções completas. Procure lembrar os passos corretos, sem copiar do livro, igual ao que você fez com os exercícios resolvidos que você não conseguiu resolver inicialmente. Você precisa memorizar os raciocínios corretos para resolver cada tipo de exercício.

Depois que você resolver um punhado de exercícios, é provável que você ganhe uma outra visão da teoria que você estudou. Talvez você identifique alguma informação importante que, quando leu o texto teórico, deixou passar. Ou os exercícios resolvidos tragam técnicas ou procedimentos que não foram descritos no texto teórico. Se você errou um exercício proposto, talvez o motivo do erro seja algo importante pra se lembrar no futuro. Em qualquer desses casos, você deve criar outras questões teóricas, com respostas, que incorporem essas informações novas. Você vai respondê‐las de novo mais tarde.

Nos dias seguintes, antes de iniciar o estudo de novos minitópicos, você vai responder todas as questões teóricas que você formulou quando estudou os minitópicos anteriores daquele mesmo capítulo. Mas responda de cabeça, puxando pela memória, sem consultar o livro ou quaisquer anotações que você tenha feito. Confira as novas respostas que você der agora com as respostas que você deu inicialmente, para checar se conseguiu lembrar tudo. As novas respostas não precisam ser idênticas às que originais, mas todas as informações contidas nas primeiras respostas vão ter que estar nas segundas respostas. O que você tiver esquecido, releia aquela parte específica no livro.

Quando você terminar o último minitópico do capítulo (geralmente, o que inclui os Exercícios Propostos de Recapitulação), será a hora de você converter seu questionário teórico em anotações mais esquemáticas. Lembra daquele exemplo que eu dei de F=m.a, que você tinha que responder como uma frase completa, no melhor Português que você conhece? Pois, agora sim, você vai ser sucinto. Você vai omitir a pergunta e escrever somente algo como: “Segunda Lei de Newton: F=ma; F: força; m: massa; a: aceleração.”

Futuramente, antes de cada minitópico de revisão daquele capítulo, você vai tentar reescrever as anotações de memória, e conferir essas novas anotações com as primeiras que você fez, pra ver se você lembrou tudo direitinho. O que você não tiver conseguido lembrar, você consulta nas anotações iniciais, ou mesmo no questionário teórico.

Observe um detalhe importante, que diferencia este método do que você provavelmente está acostumado a fazer. Na escola, você é estimulado a fazer anotações, ou resumos, para consultá‐las posteriormente, na hora de fazer os exercícios ou revisar a matéria para as provas. Aqui, não. As anotações servem apenas para você verificar o que está guardado na sua memória, e o que você eventualmente esqueceu. Por isso que você vai escrever anotações repetidas vezes.

Em princípio, você poderia até mesmo jogar suas anotações fora assim que as escrevesse! (É o que recomendava o Professor Píer em seu livro “Aprendendo Inteligência”.) Eu só não digo pra você fazer isso porque acho que pode ser mais útil você comparar as anotações que você refizer a cada vez com aquelas que você fez antes, para checar se não está esquecendo nada. Mas você não vai consultá‐las pra fazer exercícios, nem decorá‐las para uma prova!

Quanto aos minitópicos de revisão, os primeiros deles são compostos pelos testes propostos do final dos capítulos dos livros. Estes ainda têm resoluções completas dos exercícios, e você vai fazer com eles como fez com os exercícios propostos do meio dos capítulos. Os exercícios e testes extras e o banco de questões não trazem resoluções, só respostas, infelizmente. Isso quer dizer que, se você errar algum deles, vai ter que descobrir o erro por si mesmo. Nem sempre você vai conseguir; mas, pelo menos, tente.

De qualquer modo, os exercícios dos minitópicos de revisão vão servir para testar o seu aprendizado no médio e longo prazos. Para ter uma ideia do seu aproveitamento nos estudos, faça assim. Em cada revisão, divida o número de questões que você conseguir acertar pelo número total de questões, e multiplique por 100. Você obterá o seu percentual de acertos, que será a sua “nota”. Ela deve ser, idealmente, maior ou igual a 90; se for menor que 80, você terá que reestudar aquele tópico, preferencialmente em outra coleção de livros.

Mas exigir de você mesmo médias acima de oito — e, preferencialmente, acima de nove — não é um exagero? Se você quiser ser um estudante “mediano” (entenda medíocre), é exagerado sim. Mas um autêntico CDF não se contenta com nada menos que a excelência! E essa busca pela excelência é o que fará você alcançar os objetivos que você traçar para sua vida.

Todas as atividades sugeridas aqui adaptam para o estudo autodidata técnicas que compõem o que se chama de aprendizado ativo. Como o nome diz, é uma metodologia que visa fazer o estudante se engajar com o conhecimento que está tentando assimilar.

É elaborar e responder perguntas antes, durante e depois da leitura de um texto, ao invés de simplesmente correr os olhos sobre ele.

É tentar resolver exercícios antes mesmo de conhecer as técnicas de resolução, de modo a desenvolver o raciocínio autônomo, e refazê-los de novo depois de aprender essas técnicas, a fim de fixá-las.

É não só conferir as respostas e contabilizar acertos e erros, mas quebrar a cabeça tentando entender onde foi que você errou.

É procurar lembrar as coisas, puxar pela memória, ao invés de consultar no caderno ou no livro.

É revisar continuamente assuntos estudados anteriormente, a fim de mantê-los sempre vivos na memória.

Esse modo de estudar é sem dúvida mais demorado, trabalhoso e cansativo, mas pesquisas de neuroeducação comprovam que proporciona um aprendizado muito mais eficaz e duradouro.

E qualquer dúvida que você tiver sobre o roteiro, ou sugestão para melhorá-lo, é só postar um comentário aqui, que eu respondo o mais depressa que eu puder. Bons estudos!

14 comentários sobre “Um Roteiro de Estudo para Fundamentos da Física

  1. Olá, Serjão!

    Tudo bom? Voltei aqui, mais uma vez.

    Estou usando o seu roteiro de estudo para o Fundamentos da Física, seguindo minuciosamente a sua metodologia de estudos. Gasto cerca de 4~5 horas diárias em Física (deixei Química para mais tarde). Consigo compreender com desenvoltura a teoria, passando a maior parte do tempo fazendo (e refazendo) questões, revisando, etc. Mesmo assim, parece que não consigo reter bem a forma de resolução das questões, mesmo refazendo várias vezes, e com isso eu fico agarrado naquele capítulo em específico apenas refazendo exercícios.

    Em algumas partes, a teoria não parece muito bem formulada, usando na maior parte do tempo o artifício de exemplos e demonstrações, e pouquíssimas definições. Exemplo: até agora não entendi bem o conceito de Velocidade Relativa, introduzido no capítulo 3 em Questões Resolvidas, e ainda não sei precisamente quando usar a Função Horária do MU, quando usar a Velocidade Relativa, quando usar a Velocidade Escalar, quando o comprimento do móvel deve ser considerado ou não, entre outras dúvidas.

    Só consigo pensar em poucas alternativas para esse problema: (1): ou eu implemento mais uma coleção de Física para reforçar a teoria, que receio ser impraticável na minha situação; (2): ou compro um curso online de Física, opção que eu não sou muito favorável, pois aprendo melhor lendo, e ainda teria de gastar dinheiro; e (3): estudar Física por frentes, pois sempre sobraria tempo para a outra frente nos momentos de estagnação, embora eu não saiba quais são os pré-requisitos entre os diferentes ramos da Física. (Lembrando que eu estudo Física todos os dias, 5~6 horas diárias, para tentar agilizar a matéria antes de incorporar Química na rotina.)

    O que você acha que eu devo fazer?

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    • Calma, não se afobe. Muitos estudantes têm mesmo dificuldade quando começam a estudar por esta coleção, mas depois se acostumam com o estilo. É assim mesmo, muita coisa os autores mostram nos exercícios como se faz, ao invés de explicar na parte teórica.

      Também não espere acertar todas as questões, sem ficar com nenhuma dúvida. É uma expectativa irrealista para a maioria dos estudantes, mesmo os mais inteligentes. Não fosse assim, todo mundo só tiraria 10 nas provas.

      Analise seu desempenho friamente. Quantas questões você consegue acertar numa primeira tentativa? 80%? Siga adiante no capítulo, e deixe pra refazer as questões que tiver errado mais tarde, junto com as revisões já programadas no roteiro. 60%? Aí já tem problema. Releia a teoria e os exemplos resolvidos com atenção. E não deixe de conferir as resoluções completas, não só as respostas.

      Outra coisa, estudando só Física o dia inteiro, seu cérebro pode ficar saturado do assunto, o que atrapalha o rendimento, mesmo que você faça pausas. Intercale Física com outras matérias, como Português, Inglês, História. Você vai avançar mais devagar em Física, mas vai aprender melhor. Intercalar disciplinas é uma técnica de estudo comprovadamente eficaz.

      Depois que você terminar a parte de Cinemática (fora as questões que ficarem pra revisões subsequentes, conforme o roteiro), reavalie a situação. Se você realmente concluir que seu estudo não está rendendo, então pode ser que Fundamentos da Física não seja boa para você. Nesse caso, A Estante do CDF tem outras coleções de Física, com enfoques diferentes na apresentação da teoria e dos exercícios, que você poderá usar. Eu só não tenho roteiros detalhados para elas.

      Estudar por frentes, intercalando diferentes ramos da disciplina, é algo que virou moda em colégios e cursinhos, mas é complicado, pelo motivo que você citou, dos pré-requisitos. Por isso, não recomendo.

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      • Caramba, obrigado de verdade pelos conselhos! Fiquei muito preocupado por estar com dificuldade nas questões, não sabia que era normal. Sempre acerto todas, ou quase todas, nas outras matérias.

        Acho que algumas pessoas têm razão quando dizem que Física é mais difícil no começo dos estudos (mas mesmo assim estou gostando muito da matéria, graças ao seu roteiro).

        Eu já tenho feito algo semelhante com o que você falou, pois além de fazer os minitópicos de revisão, sempre retorno às listas de questões anteriores (você não faz ideia de quantas vezes eu já refiz as mesmas questões!).

        Com relação a intercalar matérias, eu já estou utilizando essa técnica na minha rotina, só que comecei a estudar apenas 3 matérias simultaneamente (Matemática, Física e Biologia), pois tenho uma boa base e extrema facilidade com Humanas e Linguagens, e deficiência em Natureza e Matemática. A carga horária diária está tão elevada por conta disso, do número reduzido de matérias.

        Sinceramente, não me sinto cansado estudando 5 horas diárias de Biologia ou Física. Já estou acostumado com longas horas de estudos e não fico apenas lendo teoria: faço diversas atividades diferentes (como treinar questões discursivas, revisar, etc.).

        Agora, Matemática é uma outra história. 2 ou 3 horas já são suficientes para fritar o meu cérebro, então limito bastante a carga horária, embora estude todos os dias.

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  2. Como vai, Serjão?

    Primeiramente, feliz ano novo! Espero que sejam bem-sucedidos todos os seus novos projetos. E fico muito feliz por ter decidido continuar com o Guia do CDF.

    Comecei o ano já com o nariz enfiado nos livros, pois vou prestar vestibulares para Medicina no fim do ano. Praticamente não tenho base em Natureza e Matemática. Ano passado, decidi estudar a 4 meses das provas. Cheguei a terminar um volume do Feltre, vi alguns conteúdos relevantes de Biologia com A&M, zero absoluto em Física, e (embora tenha tentado aprender razão e proporção, porcentagem, etc.) também praticamente zero em Matemática, por não ter tempo de revisar a base. Em Humanas e Linguagens, até que me saio relativamente bem. Isso é tudo que tenho como bagagem do ano passado.

    Esse ano, estou revisando a Matemática do EF com o Matemática e Realidade do Gelson Iezzi, justamente por ser o autor mais preferido do EM. O que você acha dessa coleção? Cheguei a aprender coisas muito úteis com ele nos últimos dias, como cálculo mental; tem alguns exercícios mais difíceis da OBMEP no final dos tópicos, e até compreendi a lógica dos problemas de Contagem com ele. Além disso, você acha necessário estudar toda a coleção (do 6 ao 9 ano) para revisar a base, tendo em vista o pouco tempo disponível? Preciso me encaminhar rapidamente para o conteúdo do EM, mas quero fazer isso com uma base suficiente.

    Em relação aos livros de Natureza. Embora não seja o ideal, não vou ter tempo de estudar por mais de uma coleção, então tenho de selecionar coleções definitivas para o resto do ano. Tendo isso em vista, quais coleções de Física e Química você acha que são as melhores? Meus critérios seriam a abundância de questões de vestibular, conteúdo autossuficiente, que não vá além do conteúdo do EM, etc. Por exemplo, vejo muita gente falando do Tópicos de Física para preparação ITA/IME, mas quase nunca para ENEM ou FUVEST. Por outro lado, vejo pessoas falando do Feltre tanto para os concursos militares quanto para vestibulares tradicionais. O que você pensa a respeito disso?

    Acho que isso é tudo. Obrigado mais uma vez, e desculpe pelo tamanho do comentário!

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    • Matemática não tem jeito. Você precisa mesmo completar a coleção de Ensino Fundamental antes de pegar uma de Ensino Médio. E para este último nível, recomendo Matemática do Paiva.

      Física, para quem esta

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      • Perfeito, Serjão!

        Lembro-me que no ano passado tive muitos problemas em dominar o assunto de Genética usando o A&M. Não conseguia resolver questões da UERJ e FAMEMA (que são bancas fáceis em comparação com outras) por que faltavam informações na coleção. Vou experimentar o Campbell nos tópicos em que isso acontecer, espero que ele me ajude.

        Não conhecia o autor Paiva para matemática, muito obrigado por me recomenda-lo. Planejava usar o Matemática: Ciência e Aplicações, onde o Iezzi fez uma seção ENEM ao longo dos capítulos, e parece ter cobrido bem os conteúdos da prova. Acha o Paiva superior ao Iezzi dessa coleção?

        Obrigado mais uma vez!

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      • Eu não conheço esta coleção do Iezzi, por isso não falo nela. Mas é muito usada por estudantes.

        Eu gosto da estruturação que a coleção do Paiva ganhou dentro do projeto Moderna Plus. Por isso, indico ela. Mas, é claro, fica a seu critério.

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    • Em Física, experimente a versão exclusiva do livro de que falo nesta postagem. Siga o roteiro incluído no arquivo e o método que explico aqui.

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    • Química de Tito e Canto tem muitos exercícios. Se precisar de mais, complemente com o Feltre. As duasobras estão disponíveis na Estante do CDF.

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    • Biologia é Amabis e Martho mesmo. Se você precisar de mais do que isso (pra Medicina, por exemplo), tem o Campbel. Também na Estante do CDF.

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    • Por fim, um alerta. O Enem está para mudar. Tanto a provas quanto os conteúdos cobrados. Não sei se vai ser já este ano. Fique atento, pra você não acabar estudando coisas que não serão cobradas nas provas.

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  3. Parabéns pelo roteiro. Há algum roteiro para matemática do Ensino Fundamental? Penso em estudar, de modo intercalado, três coleções de matemática do ensino fundamental, depois partir para aquela, já indicada por você, da Openstax. Considera uma boa trilha de aprendizagem?

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