Estante do CDF: Física Clássica e Tópicos de Física

Física Clássica, de Sampaio e Calçada, e Tópicos de Física, de Helou, Gualter e Newton. As duas obras seguem o modelo de “apostila de cursinho pré‐vestibular transformada em livro” consagrado pelos Fundamentos da Física, de Ramalho, Nicolau e Toledo. Mas com algumas importantes diferenças.

16 comentários

Retomo aqui a postagem de obras didáticas de referência na Estante do CDF, sempre em versões PDF de alta qualidade, incluindo as resoluções dos exercícios só disponibilizadas nos “manuais do professor”. Como fiquei mais de um mês sem postar, serão duas de uma só vez, pra tirar o atraso: Física Clássica, de Sampaio e Calçada, e Tópicos de Física, de Helou, Gualter e Newton. As duas obras seguem o modelo de “apostila de cursinho pré‐vestibular transformada em livro” consagrado pelos Fundamentos da Física, de Ramalho, Nicolau e Toledo. Mas com algumas importantes diferenças.

Física Clássica era originalmente uma coleção em cinco volumes, que foi posteriormente condensada em três. A teoria é explicada numa linguagem mais “fluida” que nos Fundamentos da Física, cuja linguagem é, por vezes, sucinta e esquemática demais.

Os exercícios resolvidos são misturados aos propostos, não apresentados à parte antes destes, como nos Fundamentos. Os dois tipos são conjuntamente chamados “exercícios de aplicação”, e figuram sempre logo após uma pequena porção de teoria. Quase sempre são seguidos pelos “exercícios de reforço”, que são somente propostos. Cada capítulo termina com uma série de “exercícios de aprofundamento”, que equivalem aos “exercícios de recapitulação” e aos “testes propostos” dos Fundamentos.

Os exercícios avançam mais gradualmente em graus de dificuldade. Nos Fundamentos, às vezes há verdadeiros saltos de patamar de dificuldade dos “exercícios propostos” para os “exercícios de recapitulação”, e sem que as técnicas necessárias para resolver estes últimos tenham sido previamente exemplificadas nos “exercícios resolvidos”. Isso costuma ser muito frustrante, e até mesmo intimidador, para estudantes que estão tendo o primeiro contato com o assunto.

Por essas características diferenciais, Física Clássica é uma obra mais acessível para o estudante autodidata que os Fundamentos da Física. Se você só precisa estudar por uma única coleção (se você almeja um curso universitário de Ciências Humanas, por exemplo), recomendo que seja Física Clássica. Se você precisa estudar por mais de uma (se quer fazer um curso na área de Ciências Exatas ou Ciências Naturais, por exemplo), recomendo que Física Clássica seja a primeira.

Quando a coleção foi reformatada de cinco para três livros, uma parte considerável do conteúdo, tanto de teoria quanto de exercícios, foi cortada dos livros, mas preservada em CDs que acompanham cada livro. Nesta versão exclusiva que disponibilizo aqui, eu reinseri todo este material complementar no corpo dos livros, dentro dos capítulos onde cada assunto melhor se “encaixa”.

Também incluí as resoluções de todos os exercícios, presentes nos manuais dos professores. Só que, ao invés de deixá‐las todas separadas, eu as distribuí pelos respectivos capítulos. E fiz o mesmo com as respostas dos exercícios contidas nas últimas páginas dos livros dos alunos. Assim, quando você for conferir a resposta ou a resolução, não precisa procurar no fim do livro ou num volume à parte; é só olhar poucas páginas adiante, no final do capítulo. “Mamão com açúcar”, como se dizia antigamente.

Tópicos de Física é mais diferente em sua estruturação, embora não fuja de todo do modelo de Fundamentos. Nesta coleção, os capítulos são chamados “tópicos”, que por sua vez são divididos em “blocos”, cada qual com uma porção de teoria. As explicações teóricas são em geral mais sucintas que em Física Clássica, e os assuntos condensados em menos “blocos” do que as seções de Física Clássica e Fundamentos.

O maior diferencial da obra é como os exercícios são organizados: em quatro níveis de dificuldade. Os de “nível 1” e “nível 2” se seguem a cada bloco teórico, e misturam exercícios resolvidos e propostos. Equivalem aos “exercícios de aplicação” e “de reforço” de Física Clássica. Os de “nível 3” vêm ao final de cada tópico, equivalentes aos “exercícios de aprofundamento” de Física Clássica.

Por fim, há a seção “Para raciocinar um pouco mais” (Por que os autores não chamaram simplesmente de “nível 4”?), que traz exercícios particularmente difíceis. Fundamentos da Física também tem exercícios nesse nível, em geral entre os “exercícios de recapitulação”; mas a coletânea de Tópicos de Física é bem mais abrangente e variada, e está melhor organizada. Inclusive, professores de turmas IME/ITA costumam recomendar que os estudantes comecem sua “fase de aprofundamento” resolvendo todos os exercícios de “nível 4” dos Tópicos.

Por estas características, de apresentação teórica sucinta e exercícios escalonados em graus de dificuldade facilmente discerníveis, Tópicos de Física é mais apropriado para quem já estudou por outra coleção (Física Clássica ou Fundamentos da Física) fazer uma revisão aprofundada de toda a matéria. O estudante que já domina o básico pode, inclusive, saltar os exercícios de níveis 1 e 2 e fazer apenas os de nível 3 e 4, pra ganhar tempo.

À semelhança do que fiz com Física Clássica, a versão de Tópicos de Física que disponibilizo aqui tem as respostas dos livros do aluno e as resoluções dos manuais do professor distribuídas ao final dos tópicos pertinentes, ao invés de concentradas todas no final dos livros. Tudo para tornar o seu estudo mais eficiente!

Divirta‐se!

16 comentários em “Estante do CDF: Física Clássica e Tópicos de Física”

  1. Olá Serjão Boa noite!
    Com exceção dos Livros Fundamentos da Física, Tópicos de Física e Física Clássica, quais seriam os livros de ensino médio referência em ensino de física no Brasil? Os melhores tirando esses três.

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    1. Tirando essas três, tem a antiga coleção do Robortella, que já foi o equivalente, em Física, dos FME em Matemática. Mas não tem a parte de Física Moderna, que antigamente não constava da grade curricular do então chamado Segundo Grau. (Esta coleção eu disponibilizo aqui no Guia do CDF.)

      Outra coleção antiga de Física que pode complementar bem a do Robortella é a de Moysés e Gouveia, à venda na Editora Vestseller. (Esta eu não tenho em PDF.)

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      1. Opa! Boa Tarde ! A título de curiosidade, e se tirarmos os do Robortella?Por exemplo, considerarmos livros de ensino médio comuns atuais? Excluindo os da vestseller também.

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    1. Bom dia, Lauro! Os livros do professor trazem as resoluções detalhadas de todos os exercícios. A cópia que disponibilizo aqui tem essas resoluções distribuídas pelos capítulos dos livros, para facilitar a consulta.

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  2. O conteúdo do CD está no PDF?

    Acha que essa edição, com o conteúdo em CD, perde em algo para a coleção clássica de 5 volumes?

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  3. Você conhece a coleção do Adir Moysés?

    Depois de ter estudado pelo Física Clássica, acha que ela é melhor do que o Tópicos para uma segunda visão da matéria?

    Sei que a teoria dela é mais completa(até mesmo que a do Física Clássica), mas não sei se os exercícios são tão aprofundados quanto os do Tópicos.

    Grato.

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    1. Sim, Jorge, conheço. Os exercícios são de ótimo nível, mas não tão difíceis como os do Nível 4 (“Para Raciocinar um Pouco Mais”) do Tópicos.

      Mas você pode adotar uma estratégia alternativa. Pode estudar pelo Adir Moysés, tanto a teoria quanto os exercícios (saltando os mais fáceis, pra ganhar tempo), e depois usar os exercícios dos Níveis 3 e 4 de Tópicos pra fazer uma revisão geral da matéria, ao mesmo tempo em que “raciocina um pouco mais”.

      Eu só não costumo recomendar o Adir Moysés como uma segunda coleção porque a estrutura dos capítulos é muito diferente do modelo que todas as outras coleções seguem. Elas intercalam pequenas porções de teoria com exercícios correspondentes, o que eu costumo chamar de “minitópicos” (ou até “microtópicos”, dependendo do tamanho). Já o Adir Moysés apresenta a teoria do capítulo inteira, deixando os exercícios todos para o final.

      Todas as coleções anteriores aos Fundamentos da Física eram assim, e essa do Adir Moysés, embora seja contemporânea aos FF, já era uma “espécie em extinção” na sua época. Os autores desses tipo de livro deixavam a cargo dos professores decidir até que ponto dos capítulos avançar em cada aula, e confiavam que os professores saberiam identificar, na lista de exercícios ao final do capítulo, quais correspondiam a cada tópico do capítulo, pra passar como tarefa de aula ou dever de casa pros alunos. (“Leiam a teoria das páginas 57 a 65 e façam os exercícios 13 a 21.”) Professores experientes sabiam trabalhar assim. Mas professores novatos (e, muitas vezes, mal formados) tinham muita dificuldade de preparar aulas desse jeito.

      E, se para os professores era difícil estabelecer os “pontos de parada” no meio dos capítulos e distribuir os exercícios pelas seções dos livros, imagine como era para os estudantes!

      O modelo dos minitópicos, inaugurado pelos FF e seguido por todos os outros (inclusive FC e TF) veio muito a calhar. Facilitou bastante a vida dos professores, e dos estudantes também, pois os pontos de parada na teoria já vêm marcados, e com os exercícios correspondentes junto.

      Por isso, assim como somente professores experientes sabiam usar livros como os do Adir Moysés com proveito, também só estudantes autodidatas experientes conseguem tirar dessa coleção tudo que ela pode oferecer — e não é pouco!

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      1. Entendi.

        Tenho uma frescura que me impede de usar os livros dessa maneira “recortada”(usar um pedaço de um misturado com outro, pegar só alguns exercícios, etc). Vou usar os livros do Moysés mesmo, até porque já usei essa abordagem quando estudei pelo vol. único do Iezzi há um tempo(só usei pra revisar, então lia toda a teoria do capítulo e fazia os testes de vestibular no final)

        Muito obrigado pela resposta trabalhada.

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  4. Cara, já fiz isso em outro comentário, mas gostaria de agradecer novamente. O trabalho que você fez com o Física Clássica, deixando tudo organizado e em uma qualidade excelente, vai me ajudar muito.

    Seria muito bom poder comprar os livros em lojas, no entanto é completamente inviável por causa do valor(longe de mim querer decidir quanto alguém deve cobrar por sua obra). Se não existisse esse tipo de trabalho, os autores continuariam sem receber e muitas pessoas ficariam sem ter acesso a esses materiais de qualidade.

    Algumas coleções são bem fáceis de encontrar, porém outras, como o Física Clássica, não são(pelo menos na qualidade desse arquivo).

    Mais uma vez, muito obrigado!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Uma coisa que você pode fazer é, quando você for um profissional bem remunerado, comprar exemplares dos livros que foram importantes na sua formação educacional e doá‐los a escolas públicas e bibliotecas comunitárias em bairros pobres. Eu fiz isso na minha cidade até as bibliotecárias pedirem pra eu parar, que elas já não tinha mais onde guardar as doações!

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