Quanto Tempo Leva Pra Estudar Isso Tudo?

Conheça aqui uma metodologia segura para calcular, realisticamente, quanto tempo de estudo você precisará para alcançcar seus objetivos.

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Essa é a pergunta que mais me fazem nos comentários. Minhas respostas evasivas podem deixar os leitores frustrados, inseguros e até confusos. Mas é que realmente eu não tenho as informações necessárias para estimar quanto tempo alguém, que não seja eu mesmo, precisaria para dar conta de qualquer um de meus roteiros de estudo. Só você pode obter essas informações para o seu caso particular, tendo em vista seus hábitos, suas rotinas, sua inteligência. Nesta postagem eu vou te ensinar justamente como fazer essa estimativa. Vai parecer complicado à primeira vista; mas você é CDF, gosta de coisas complicadas!

Quanto tempo você tem pra estudar?

Primeiro de tudo, você tem que saber exatamente quantas horas você tem disponíveis para estudar fora da escola todos os dias. Não é uma média, são quantas horas você tem em cada dia da semana. Você faz isso em algumas etapas:

  1. Em todos os dias de duas semanas típicas, cronometre o tempo que você passa estudando de verdade em casa. Registre o tempo medido para cada dia da semana, nas duas semanas.

  2. Importante: se você ainda está na escola, ou faz cursinho, idiomas, música, enfim, qualquer curso em que os professores passam trabalhos extraclasse (o dito “dever de casa”) e fazem avaliações periódicas (testes, provas, exames, simulados), então o tempo que você gasta fazendo esses deveres e estudando pra essas provas deve ser excluído de sua medição. Você vai medir apenas o tempo que tem disponível para implementar uma programação de estudos independente do seu colégio e de outros cursos que você faça.

  3. Se de uma semana para a outra, para um determinado dia da semana (as segundas ou os sábados, por exemplo), a diferença for de uma hora ou mais, então aconteceu alguma coisa atípica nesses dias, numa semana ou na outra. Tire a teima cronometrando seus tempos de estudo para este dia da semana numa terceira semana. Nesta terceira semana, não precisa cronometrar todos o dias; só aqueles em que, nas duas medições anteriores, houve diferença de mais de uma hora. Quando tiver os três valores, descarte o que for mais discrepante; fique só com os dois mais próximos.

  4. Tire a média aritmética dos tempos cronometrados para cada dia da semana nas semanas de teste. Como para cada dia você obteve dois valores válidos (mesmo que, para obter valores para todos os dias, você tenha precisado de três semanas), você vai somar os dois tempos para cada dia da semana (domingo com domingo, segunda com segunda, e assim por diante), e dividir por dois. Estes serão os tempos médios que você realmente consegue estudar em cada dia da semana.

  5. Some as médias obtidas para os sete dias da semana, e você vai obter a quantidade de horas que você efetivamente estudou numa “semana típica”, ou “semana média”. (Sua semana típica ou média é uma abstração, para fins de cálculo.) Chame esse somatório das médias dos tempos cronometrados para os sete dias da semana de Ts. Se você não trabalha nem estuda (em colégio), Ts deverá valer para qualquer época do ano, o ano inteiro, nos cálculos que vou propor mais adiante.

  6. Se você estuda em colégio ou faz cursinho, vai precisar de fazer as medições e obter as médias descritas acima separadamente para seu período de férias da escola (Tf) e para seu período de aulas (Te). Nesse caso, calcule também a média ponderada dos tempos disponíveis para o estudo em casa para uma semana qualquer do ano inteiro. Se você tem um total de Nf semanas de férias e de Ne semanas de aulas, e considerando que o ano tem 52 semanas, essa média será Ts = [(Nf × Tf) + (Ne × Te)] ÷ 52 .

  7. Se você não estuda em colégio nem cursinho, mas trabalha, vai ter que fazer as estimativas e medições para seu período de férias do trabalho (Tf) e para seu período em que trabalha (Tt). Nesse caso, se você tem Nf semanas de férias e Nt semanas de trabalho, a média ponderada dos tempos de estudo será Ts = [(Nf × Tf) + (Nt × Tt)] ÷ 52 .

  8. Se você trabalha e estuda (em colégio), vai ter que estimar e medir seus tempos para os períodos do ano em que trabalha e tem aulas (Tte); quando está de férias só da escola, mas continua trabalhando (Tt); quando está de férias só do trabalho, mas continua tendo aulas (Te); e quando está de férias do trabalho e da escola (Tf). A média ponderada dos tempos semanais, para este caso, fica: Ts = [(Nf × Tf) + (Ne × Te) + (Nt × Tt) + (Nte × Tte)] ÷ 52 , onde Nf, Ne, Nt, Nte são, respectivamente, a quantidade de semanas em que você está de férias do trabalho e da escola, de férias só do trabalho, de férias só da escola, e trabalhando e tendo aulas.

  9. Enfim, Ts, em qualquer caso, é o tempo disponível de estudo que você tem em uma semana média do seu ano. E você pode facilmente adaptar as fórmulas acima para calcular sua semana média para um semestre (26 semanas) ou um trimestre (13 semanas).

(Só pra você saber, esse procedimento que eu descrevi para calcular o tempo de estudo em uma semana média é o que em Ciência da Computação se chama algoritmo. Se você for trabalhar nessa área, sua rotina de trabalho consistirá, basicamente, em escrever algoritmos como esse e transformá-los em programas de computador. Um aplicativo, ou “app”, como se diz atualmente, é um programa de computador sofisticado que implementa algoritmos um tanto complexos.)

Óbvio que, para você obter todos os dados necessários para fazer esses cálculos, você precisaria atravessar pelo menos duas semanas de cada período em que você tenha uma rotina de estudo, trabalho e descanso diferente. Se você estuda e não trabalha, por exemplo, e fizer esse cálculo em Janeiro para suas férias escolares, teria que esperar até Fevereiro ou Março pra fazer esse cálculo para seu período de aulas, e só então fazer um cálculo para o resto do ano. Quando por fim você tivesse um planejamento de estudos pronto baseado nesses dados, já estaria em Abril, e teria passado já 1/4 do ano estudando sem nenhuma noção do quanto poderia ou deveria estar avançando nos seus estudos. Claro que isso não é nada prático.

Ao invés, no início do ano (ou do seu programa de estudos, quando quer que comece no calendário), faça um planejamento até o fim do ano (ou de um ano inteiro, quando quer que comece o seu programa) se baseando apenas em tempos estimados, não nos de fato medidos, para estudos. Quer dizer, desconte das 24 horas de cada dia de uma semana típica de férias (ou de aulas, ou de trabalho), as horas que você acredita que passe dormindo, comendo, tomando banho, na escola, no trabalho, na balada, nos trajetos entre residência e escola e trabalho, enfim, não estudando em casa.

As diferenças assim obtidas são os tempos que você pensa que tem disponíveis para estudar em casa em cada dia da semana. Use esses valores provisoriamente para compor as médias Te, Tt, TfTte, para cada época diferente do ano. Depois, à medida que o ano avançar, e você for atravessando seus períodos de aulas, de trabalho, de férias, você vai medindo de verdade os tempos e refazendo os cálculos de Ts, pra que fiquem mais precisos. Assim, você começa com uma aproximação razoável do tempo que você tem disponível e vai melhorando essa aproximação aos poucos, no decorrer do ano.

Quanta coisa você tem pra estudar?

Agora que você já sabe quanto tempo tem para estudar, você precisa estimar quanto você consegue estudar nesse tempo. Ou seja, precisa calcular sua velocidade de estudo. Para isso, você precisa ter também uma medida da quantidade de informação que você precisa processar, ou de conhecimento você precisa assimilar. Naturalmente que será uma medida aproximada, só pra te dar uma noção do quanto você tem que estudar de uma determinada disciplina para alcançar seus objetivos.

Para tanto, você deve considerar dois tipos de disciplinas: as que são baseadas em textos, e as baseadas em fórmulas. Aquelas em que o conhecimento é codificado em texto corrido (Biologia, História, Geografia), a maneira mais prática de quantificar quanta informação você terá que absorver é contar as páginas dos livros que você vai usar. Nos livros dessas disciplinas, os exercícios, que você responde num caderno ou no próprio livro, não exigem muito mais espaço para as resoluções do que os seus enunciados já ocupam no livro. E você, em geral, gasta menos tempo fazendo esses exercícios do que lendo a teoria.

Mas atenção! Tem que ser livros do mesmo formato, da mesma coleção, do mesmo autor. A contagem que você fizer para História não poderá ser misturada com a de Biologia, por exemplo. Se você vai estudar dois livros de Geografia de autores diferentes, a contagem de páginas de um não deve ser somada com a contagem de páginas de outro. Porque cada disciplina, cada autor, cada coleção, tem um estilo de texto menos ou mais prolixo, tem mais ou menos ilustrações, letras em tamanhos diferentes, mais ou menos espaços entre as sessões, etc.

Já as disciplinas que têm seu conteúdo não só explicado em texto corrido, mas também codificado em fórmulas simbólicas (Matemática, Física, Química), a contagem de páginas pura e simples é enganosa. O melhor, nesse caso, é contar o número de exercícios que os livros trazem. Porque uma lista de exercícios que ocupe uma única pagina num livro desses, ou até menos, na hora de resolver pode ocupar várias páginas de caderno! Também vai ter exercícios que você vai fazer em poucas linhas, e outros que vão ocupar páginas inteiras. E você vai passar muito mais tempo resolvendo exercícios do que lendo as explicações textuais.

Português é uma espécie de híbrido dos dois tipos. O conhecimento é textual, e as resoluções dos exercícios geralmente ocupam poucas linhas; mas, como são muitos exercícios, o efeito multiplicador de páginas acaba sendo grande. Então, meio que tanto faz você contar as páginas ou contar os exercícios. Vai depender mais do estilo ou da didática do autor: se os exercícios figurarem em pequenas quantidades intercaladas como pequenas porções de teoria, você deve contar páginas; se forem blocos de teoria mais extensos seguidos por listas com dezenas de exercícios de uma só vez, pode ser melhor contar os exercícios.

De qualquer maneira, seja contando páginas ou exercícios, você vai precisar definir uma medida-padrão delas ou deles — vamos chamar páginas e exercícios indistintamente de “unidades de conhecimento”. Como no caso do tempo disponível para os estudos fizemos recortes semanais, vamos fazer o mesmo com as unidades de conhecimento: quantas delas, sejam páginas ou exercícios, você consegue ler ou resolver — processar — em uma semana.

Como vimos, o tempo que você tem disponível por semana pode variar conforme o período do ano em que você esteja. Mas, uma vez que você saiba quantas unidades de conhecimento de um determinado livro você consegue dar conta numa semana qualquer, e sabendo quantas horas você de fato estudou naquela semana, você pode calcular quantas unidades de conhecimento por hora (UniCon/hora) daquele livro você é capaz de processar.

Se você, por exemplo, conseguiu processar 30 UniCon de um livro Biologia (30 páginas, no caso) em 5 horas de estudo no decorrer de uma semana (não importa se de férias ou de aulas), sua velocidade de aprendizado para aquele livro de Biologia é de 6 UniCon/hora ― Va = 6 . Se aquele livro tiver 600 UniCon no total (600 páginas), você vai precisar de 600/6=100 horas de estudo para terminar aquele livro ― He = 100 . Divida essas horas de estudo necessárias pra terminar o livro pelo seu total de horas disponíveis para estudo numa “semana média” do seu ano, e você vai ter uma noção de quantas semanas de estudo você precisará para terminar de estudar o livro todo ― Se = He / Ts .

Você vai fazer a mesma coisa para cada livro ou cada coleção de cada disciplina: calcular a sua velocidade de aprendizado (Va), quantas horas de estudo são necessárias (He) e quantas semanas levaria pra terminar (Se). No final, some todos os tempos que você vai precisar para estudar todos os livros que fazem parte da sua programação e você terá uma ideia aproximada de quanto tempo você vai precisar para estudar tudo o que se propôs!

Colocando numa fórmula: Se você vai levar Sm semanas para estudar todos os livros de Matemática, Sf semanas para estudar todas as coleções de Física, Sq semanas para estudar toda Química, Sb para toda a Biologia, Sp pra Português, e assim por diante, você vai precisar de St = Sm + Sf + Sq + Sb + Sp + … semanas pra estudar todas as disciplinas.

E depois, há quem diga que a Matemática ensinada na escola não serve pra nada…

Mas vai demorar tanto assim?

Mas aí vem o desalento. Feitas as estimativas, ainda que preliminares, e dependendo de como é sua rotina, você pode concluir que vai levar “um tempão”, como um ano ou mais, pra dar conta de somente um dos meus roteiros, para uma só disciplina. (Quando você tiver o dobro da idade que tem hoje, verá que um ano, dois anos, é na verdade um “tempinho”, passa voando…)

Só que, aí, entram outros fatores, difíceis de medir e quantificar, que contribuem para reduzir o tempo total necessário para concluir um roteiro de estudos. Pra começar, o que você aprendeu nas aulas da escola ou do cursinho, quando depois você estudar de novo nos seus estudos particulares, não vai ser mais novidade. Pelo menos os conceitos e técnicas principais você já vai conhecer, e, dessa forma, você vai passar por estes assuntos mais rápido.

Nos meus roteiros eu costumo indicar várias coleções de livros, para dar suporte a estudantes que ainda estão no primeiro ou no segundo ano do Ensino Médio, e vão precisar revisar e aprofundar os assuntos mais de uma vez até o Enem ou o Vestibular. Quem seguir esses roteiros na íntegra perceberá que a primeira coleção de livros vai exigir mais tempo de estudo que as seguintes, que serão mais de revisão, ainda que estas abordem os assuntos de maneira mais aprofundada.

Mas se você já estiver no terceiro ano, ou tiver acabado o Ensino Médio, não vai precisar de tantas revisões, e por isso não precisará estudar todas as coleções que eu indico. Pode pegar só os primeiros livros, que apresentam as matérias num nível mais básico, e depois partir logo para os últimos, mais avançados.

Outra coisa. No caso de disciplinas com muitos exercícios, você não precisa resolver todos eles. Pode pular os mais simples; e mesmo os não tão simples, se forem repetitivos, você pode fazer apenas um de cada tipo. Mais importante que a quantidade é a variedade de exercícios que você faz!

Por fim, à medida que você fica mais velho, passando de adolescente a jovem adulto, sua capacidade de processar informações (seu raciocínio e sua memória) também aumentam — desde que você esteja sempre exercitando o cérebro, claro. Quer dizer, a sua velocidade de aprendizado, medida em UniCons, vai aumentar ano após ano. Mesmo do início para o final de um mesmo ano você já poderá perceber uma diferença!

Em suma, o tempo total para terminar um livro, ou uma coleção, ou o roteiro completo de uma disciplina, na verdade será menor que o St que você tiver calculado. Você pode, inclusive, recalcular o St, caso perceba que está avançando mais rápido do que parecia que você ia conseguir.

Agora, se você trabalha e ainda faz o Ensino Médio, ou mesmo se só trabalha, já tendo terminado o Ensino Médio, vai mesmo precisar de mais tempo para completar um roteiro de estudos do que se você não trabalhasse. Ainda que você seja muito inteligente, garantir uma vaga num curso concorrido logo na primeira tentativa será praticamente impossível.

Se você tem pouco tempo disponível para estudar na sua semana (ou seja, um baixo Ts), é melhor você estabelecer como meta, desde o início, ingressar no curso e na universidade de seus sonhos em dois, três anos de estudo organizado, do que tentar estudar tudo em apenas um ano, de modo atabalhoado. Porque, dessa última maneira, você não vai conseguir; e no ano seguinte vai fazer a mesma coisa e não vai conseguir de novo. Quando der por si, já estará tentando há três, quatro anos, sem sucesso. (Aí, você desiste…)

Atrasar-se alguns anos pra entrar na faculdade pode parecer horrível. (Poxa, algum antigo colega seu de colégio ou de cursinho poderá te dar trote!) Mas vai por mim, daqui a quinze, vinte anos, você ter ingressado na faculdade com 18 ou com 20 anos de idade não fará a menor diferença. Cursar uma boa universidade ao invés de uma reles fábrica de diplomas, e ingressar nela bem preparado para ter um bom rendimento no decorrer do curso, isso sim, fará diferença para o resto de sua vida!

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