Como Estudar Ciências 2 ― O Roteiro

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Meu Roteiro de Estudo Integrado de Física, Química e Biologia é diferente daquele que fiz para Fundamentos de Matemática Elementar, porque inclui várias coleções das três disciplinas. Neste novo roteiro, as coleções são identificadas com siglas e códigos de cores. Eu não mostro os números dos capítulos, mas é só examinar os sumários dos livros para identificá-los.

As páginas do roteiro estão divididas em três colunas:

  • a da esquerda corresponde aos livros que você vai usar para ter um primeiro contato com as matérias;
  • a do centro contém os livros que você vai usar para revisar os conteúdos que já estudou;
  • a da direita tem os livros que você vai usar para fazer uma segunda revisão dos conteúdos.

Na verdade, são os mesmos livros, e a mesma ordem dos capítulos, nas três colunas. O que muda são os exercícios assinalados para cada coluna, em cada etapa de estudos.

Na primeira etapa de estudos, você vai estudar quase que somente Física, por três coleções, Fundamentos, Clássica e Tópicos. Tem também uns poucos capítulos de Química, encaixados onde eles fazem mais sentido, dentro da Física.

Você vai ler com atenção toda a teoria nas três coleções, na ordem em que aparecem. Como são livros diferentes, de autores diferentes, com abordagens diferentes, dúvidas que ficarem após estudar um assunto num livro podem ser esclarecidas ao se estudar o mesmo assunto em outro livro, num outro momento.

Já para os exercícios, como são três coleções de Física, a quantidade deles é enorme, e seria um desperdício fazer todos de uma só vez. Por isso, eles são divididos em três grandes grupos, conforme sua numeração.

  • Aqueles de números que, numa divisão inteira por 3, deixam resto 1. Ou seja, os exercícios de números 1, 4, 7, 10, e assim por diante. Uma fórmula matemática para eles é 3n−2, com n inteiro e maior que 0.
  • Aqueles de números que, numa divisão inteira por 3, deixam resto 2. Ou seja, os exercícios de números 2, 5, 8, 11, e assim por diante. Uma fórmula matemática para eles é 3n−1, com n inteiro e maior que 0.
  • Aqueles de números que, numa divisão inteira por 3, deixam resto 0. São os números divisíveis por 3. Ou seja, os exercícios de números 3, 6, 9, 12, e assim por diante. Uma fórmula matemática para eles é 3n, com n inteiro e maior que 0.

(Faça n igual a 1, 2, 3, etc. nas fórmulas e confira.)

Então, nessa primeira etapa, num primeiro estudo dos conteúdos de Física (e uns poucos de Química), você vai resolver somente os exercícios de números 3n−2. Os outros exercícios são reservados para as etapas seguintes, de revisão.

Na segunda etapa, o conteúdo novo, na coluna da esquerda, vai ser somente de Química, pelas coleções do Feltre, de Tito e Canto e de Glinka, e também alguns capítulos do Atkins e Jones. Vai ser, novamente, toda a teoria dessas coleções, com explicações para cada assunto dadas de diferentes maneiras em cada livro.

De novo, como são duas coleções e meia (uso só o segundo livro do Glinka), a quantidade de exercícios é bem grande, e seria um desperdício fazer todos de uma só vez. Por isso, eles são divididos em dois grandes grupos, conforme sua numeração.

  • Aqueles de números que, numa divisão inteira por 2, deixam resto 1. São os que não são divisíveis por 2, os números ímpares. Ou seja, os exercícios de números 1, 3, 5, 7, e assim por diante. Uma fórmula matemática para eles é 2n−1, com n inteiro e maior que 0.
  • Aqueles de números que, numa divisão inteira por 2, deixam resto 0. São os divisíveis por 2, os números pares. Ou seja, os exercícios de números 2, 4, 6, 8, e assim por diante. Uma fórmula matemática para eles é 2n, com n inteiro e maior que 0.

(Faça n igual a 1, 2, 3, etc. nas fórmulas e confira.)

Então, nessa segunda etapa, num primeiro estudo dos conteúdos de Química, você vai resolver somente os exercícios ímpares, de números 2n−1. Os exercícios pares são reservados para a etapa seguinte, de revisão. Mas, paralelamente, você também vai revisar toda a Física, resolvendo os exercícios de números 3n−1 das mesmas coleções que você estudou na primeira etapa.

Observe que não é um estudo intercalado dos capítulos listados nas colunas esquerda e da direita. Não há uma correspondência linha a linha entre as duas colunas. Quer dizer, você não vai estudar o capítulo “Classificação Periódica Moderna” inteiro no livro do Feltre, seguido da revisão do capítulo “Introdução À Física” inteiro no livro de Sampaio e Calçada, e só então estudar “Estrutura Da Tabela Periódica” inteiro no livro de Tito e Canto, e depois voltar a “Introdução À Física” inteiro no livro do Ramalho. Nada disso!

O que você vai fazer é, no mesmo dia, começar a estudar “Classificação Periódica Moderna” em Química e a revisar “Introdução À Física”. No dias seguintes, quando você terminar esses capítulos, vai passar para “Estrutura Da Tabela Periódica” em Química e revisar as outras “Introdução À Física”. Sempre estudando um pouco de Química e de Física no mesmo dia. Em suma, é mais ou menos como você vê essas disciplinas na escola: paralelamente.

Em Física, como será só revisão, você provavelmente vai avançar mais rápido do que em Química, podendo até acabar a revisão de Física antes de ver toda Química. Não tem problema.

Na terceira etapa, é quando você vai estudar Biologia pela coleção de Amabis e Martho. Dessa vez, não vamos dividir os exercícios em blocos. É pra fazer todos os exercícios em sequência, na ordem em que aparecem nos livros. Ao mesmo tempo, você vai revisar toda a Química, e também, pela segunda vez, toda a Física. No caso da Química, você vai resolver somente os exercícios pares, de números 2n, enquanto que em Física, serão os exercícios múltiplos de três, de números 3n. E, novamente, é um estudo paralelo, não intercalado, das três disciplinas.

Essas três etapas devem ser suficientes para você encarar o Enem e quase qualquer vestibular do País. Agora, se você vai fazer um vestibular mais difícil, ou um Enem para um curso mais disputado, nas áreas de Física, Química, Engenharia ou Computação, pode acrescentar uma quarta etapa, com os livros de Física de Moysés e Gouveia, Mecânica de Renato Brito e Química de Nelson Santos. São as únicas obras nesse roteiro que eu achei melhor esmiuçar e embaralhar os conteúdos de cada capítulo. Mas esta quarta etapa pode exigir de você um ano a mais de estudo.

Agora, um esclarecimento. Eu elaborei esses roteiro em três (ou quatro) etapas pensando no estudante que ainda está no primeiro ano do Ensino Médio, e terá três anos até o Enem ou o Vestibular. Ou para quem, começando mais tarde, poderá ficar um ou dois anos estudando depois de terminar o Ensino Médio. Cada etapa corresponderia a um ano, nesse esquema. Mas não é difícil adaptar o roteiro para dois anos (pra quem está no segundo ano) ou até um ano (pra quem já está no terceiro). Vou te dizer como.

Se você está no segundo ano:

  • Elimine a terceira coleção de Física (Tópicos).
  • Divida os exercícios das duas outras coleções de Física (Clássica e Fundamentos) em apenas dois grandes grupos, pares e ímpares, como o que é feito com os exercícios de Química.
  • Elimine a primeira etapa inteira do roteiro (a que só contém Física).
  • Siga as sequências paralelas de assuntos da segunda e terceira etapas do roteiro.
  • Na que seria a segunda etapa, mas que agora se tornou a primeira, resolva apenas os exercícios ímpares, tanto de Física quanto de Química.
  • Na que seria a terceira etapa, mas que agora é a segunda, faça somente os exercícios pares de Física e Química.
  • Em Biologia na antiga terceira etapa, agora segunda, nada muda.

Se você está no início do terceiro ano:

  • Elimine a terceira coleção de Física (Tópicos).
  • Elimine a meia coleção de Química (Glinka e Atkins).
  • Divida os exercícios das outras duas coleções de Física e Química em dois grandes grupos, pares e ímpares.
  • Divida também os exercícios de Biologia em grupos de pares e ímpares.
  • Elimine a primeira e a segunda etapas do roteiro (as que só contêm Física e Química).
  • Siga as sequências paralelas de assuntos da que era terceira etapa do roteiro, que agora se torna a única etapa.
  • Em Física, Química e Biologia, resolva primeiro os exercícios ímpares.
  • Depois, se ainda der tempo, comece a resolver também os pares.

Se você está no meio do terceiro ano, não vai dar pra seguir este roteiro. Simplesmente não dará tempo. Você precisará de uma outra estratégia. Um “intensivão” num cursinho pode ser o bastante pra você passar, se já tiver uma boa base construída nos anos anteriores. Se não tiver, conforme-se: você vai precisar de pelo menos mais um ano de estudo, depois do Ensino Médio, pra conseguir sua tão sonhada vaga na faculdade. (O que, claro, não te impede de tentar neste ano! No mínimo, servirá de experiência.)

E se você já terminou o Ensino Médio? Bem, aí vai depender de Quanto Tempo Você Tem Pra Estudar? e de Quanto Tempo Vai Levar Pra Estudar Isso Tudo?

Mas estudar por menos coleções de livros, fazendo só 2/3, ou até 1/2, dos exercícios todos não vai deixar você menos preparado? Não necessariamente. Na verdade, essas coleções são muito parecidas umas com as outras, em termos da profundidade em que os assuntos são cobertos e na variedade de exercícios propostos. Eu só incluí mais de uma coleção de cada disciplina no roteiro pensando no problema das revisões do que foi estudado no começo e no meio. Mas quanto mais próximo do Enem ou do Vestibular você estiver quando iniciar o roteiro, menos necessidade você terá de revisões ― e menos tempo para elas também.

É, eu sei, isso tudo parece complicado… Mas é justamente para ser capaz de encarar coisas complicadas que você estuda tanto, ora! Do contrário, que graça teria ser um CDF?

9 comentários em “Como Estudar Ciências 2 ― O Roteiro”

  1. Boa tarde, Serjão. Eu posso estudar por “frentes” de cada matéria, intercalando, por exemplo, a física do volume 1 com a do volume 3?
    Estou terminando o volume 1 do fisica classica e me veio essa dúvida após ver um cronograma de um estudante que utiliza esse método.

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    1. Boa tarde, HJ. Este método costuma ser adotado em colégios particulares que seguem “sistemas de ensino” — Objetivo, por exemplo. Eles fazem assim pra terminar todo o conteúdo do Ensino Médio em dois anos, deixando o terceiro só pra uma revisão geral.

      Há benefícios e malefícios nessa estratégia. De bom, intercalar assuntos bem diferentes favorece o entendimento e a memorização dos conteúdos. O cérebro também aprende “por contraste”. Se você já estudou todo o conteúdo pelo menos uma vez, e quer fazer uma revisão geral e aprofundar alguns assuntos, é uma boa estratégia.

      De mal, isso pode romper com as “dependências conceituais”. Um assunto do terceiro ano pode precisar do conhecimento prévio de um assunto do primeiro ano para ser bem compreendido. Por isso, essa intercalação tem que ser cuidadosamente planejada por alguém que conheça bem todo o conteúdo (de preferência, um professor), para estabelecer uma ordem que respeite as dependências conceituais.

      Se você está aprendendo tudo pela primeira vez, e não tiver um professor pra planejar direitinho a ordem dos assuntos, será contraproducente. Você vai acabar “tropeçando” em vários casos de dependência conceitual.

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  2. Boa noite, estou no segundo ano do ensino médio estudando de forma autodidata para o ITA, mas em física não acho que estou rendendo muito, estou em dinâmica curvilínea, se eu seguir esse roteiro até energia e depois ir para o green book do RB será uma boa ideia? O que me sugere?

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    1. Olha, não vou te enganar. Se você quer entrar pro ITA, o estudo autodidata, por qualquer roteiro, em qualquer sequência, vai te levar só até a metade do caminho ― o que os iteanos chamam de “embasamento” e, se você for muito dedicado, o início do que eles chamam de “aprofundamento”. Mas, em algum momento, você vai precisar fazer um curso pré‐vestibular com turma especifica para ITA. E se você acha que “não está rendendo muito” no estágio em que você se encontra agora, esse momento já chegou! Se não existe um curso desses na sua cidade, ou se você não tem dinheiro pra pagar um (presencial), tente o Vestcursos do Renato Brito, que é à distância, e mais em conta.

      É como você ser um atleta e querer uma vaga pra disputar os Jogos Olímpicos. Por mais dedicado que você seja, sem treinadores supercapacitados, não dá.

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      1. Percebi o meu erro estava me focando nos exercícios e não na teoria, agora que eu usei a nova edição do Física Clássica comecei a render mais. Não gosto de vídeo aulas, prefiro livros mesmo, têm mais alguma dica?

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      2. Além das dicas que eu dei nestas postagens, não. E nenhuma dica que eu possa dar é melhor que isso que você fez: reavaliar suas estratégias e procedimentos de estudo, identificar o que não está dando muito certo, e mudar. É isso que vai fazer você se tornar um estudante cada vez melhor e render o máximo que pode dentro das suas circunstâncias. Apenas seja realista para reconhecer quando chegar no seu limite de eficiência e precisar de orientação profissional especializáda. O objetivo que você se colocou (ITA) exige isso. Bons estudos!

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  3. Bom dia, Serjão. Após o estudo da matemática do ens. fundamental já sou capaz de estudar esses livros de química e física, Serjão?

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    1. Boa tarde, Santos. Sim, a matemática do fundamental, se bem aprendida, é suficiente para acompanhar os livros de física e química do Ensino Médio. Uma ou outra coisa que falte (logaritmos, por exemplo), os próprios livros de ciências costumam trazer pequenos resumos introdutórios para os estudantes poderem acompanhar as explicações e fazer os exercicios. E, se de tudo, você sentir que precisa reforçar algum tópico de matemática antes de um determinado assunto de ciências, como trigonometria ou funções, é só você antecipar aquele tópico específico da matemática na sua programação de estudos.

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